Bacharelado Disciplina: Angelologia

Curso de Graduação Livre – Bacharelado Disciplina: Angelologia

CONCEITO GERAL DE ANGELOLOGIA
Ao nosso redor há um mundo espiritual poderoso, populoso e de recursos superiores ao nosso mundo visível. Bons e Maus espíritos passam em nosso meio, de um lugar para o outro, com grande rapidez e movimentos imperceptíveis. Alguns desses espíritos se interessam pelo nosso bem estar, outros porém, estão empenhados em fazer-nos o mal. Muitas pessoas questionam se existem realmente tais espíritos ou seres, quem são, onde se encontram e o que fazem.
A palavra de Deus é a única fonte de informação que merece confiança, e que possui respostas para estas perguntas. Ela deixa claro que há outra classe de seres superiores ao homem. Esses seres habitam nos céus e formam os exércitos celestiais, a inumerável companhia dos servos invisíveis de Deus. Esses são os anjos de Deus, os quais estão sujeitos ao



governo divino, e o importante papel que têm desempenhado na história da humanidade torna-os merecedores de referência especial. Existem também aqueles, pertencentes a mesma classe de seres, que anteriormente foram servos de Deus mas que agora se encontram em atitude de rebelião contra seu governo.
A doutrina dos anjos segue logicamente a doutrina de Deus, pois os anjos são fundamentalmente os ministros da providência de Deus. Essa doutrina permite-nos conhecer a origem, existência, natureza, queda, classificação, obra e destino dos anjos.
A doutrina dos anjos é fundamentalmente o estudo dos ministros da providência de Deus (são os agentes especiais de Deus). Como em toda doutrina, há uma negligência muito grande desta, nas igrejas e entre os teólogos, que chega a ser verdadeira rejeição. Considerado pelos

estudiosos contemporâneos como a mais notável e difícil das matérias, por isso tem sido marco da implantação de grandes seitas e heresias, do mundo atual.
Três aspectos de negligência desta doutrina
Primeiro. Desde o princípio do cristianismo, os gnósticos prestavam adoração aos anjos (Cl 2.18); depois então, na Idade Média, com as crenças absurdas dos rituais de bruxarias envolvendo culto aos anjos, e agora em nossos dias, os estudos cabalísticos personalizados no meio esotérico e místico, ensinam novamente o culto aos anjos, por meio de bruxos sofisticados e modernos. Sabendo que antes de tudo, a existência e ministério dos anjos são fartamente ensinados nas Escrituras, por isso, não podemos negligenciar os ensinamentos sagrados.

Segundo. A evidência de possessão demoníaca e adoração a demônios de forma veemente em nossos dias. O apóstolo Paulo parece travar grande luta com a grande idolatria que considerava adoração a demônios (1Co 10.19-21). Nos últimos dias, esta adoração aos demônios e a ídolos deve aumentar bastante (Ap 9.20-21). A negligência deixa de existir para dar lugar à um crescente pensamento sobre o assunto, especialmente do lado do mal. Não podemos negligenciar tal doutrina.
Terceiro. A prática acentuada do espiritismo que crescerá assustadoramente nos últimos dias, conduzindo homens, mulheres e crianças a profundos caminhos de trevas e cegueira espiritual (1Tm 4.1-2). E ainda a obra de satanás e dos espíritos maléficos, atrapalhando o progresso da graça em nossos próprios corações e a obra de Deus no mundo (Ef 6.12).

Deveríamos querer saber mais e mais dos ensinamentos sagrados para podermos estar firmes contra as astutas ciladas deste inimigo derrotado, Satanás, o anjo caído (Rm 16.20; Ap 12.7-9; 20.1-10).

1 - A DOUTRINA SECULAR ACERCA DOS ANJOS
1.1. Histórias nas sociedades
Histórias seculares, histórias religiosas e a arqueologia mostram que quase todas as culturas do mundo aceitam a existência de seres sobrenaturais. Muitas sociedades não faziam nenhuma distinção entre seres bons e maus. Os egípcios antigos acreditavam que seres sobrenaturais controlavam todas as fases da vida. O mesmo acontecia na Pérsia, Babilônia e Índia. Apesar de ser uma cultura inteiramente voltada para a filosofia e idéias humanísticas, os gregos antigos acreditavam em espíritos, e a adoração dos mesmos fazia parte de sua vida diária.
Os romanos absorveram grande parte de outras religiões em sua própria, isto é, eles faziam isso quando as outras religiões eram politeístas. Eles simplesmente acrescentavam deuses ao seu panteão.

Geddes MacGregor escreveu no seu livro (Anjos, Ministros da Graça): “...da Escandinávia ao Irã, da Irlanda à América do Sul, o folclore popular é repleto de alusões a espíritos tão elementares...que foram trazidos do folclore antigo dos celtas, escandinavos, teutônicos e outras culturas”. Mesmo nas culturas mais orientais, como da China, Japão e Coréia, anjos e/ou demônios eram parte integrante de suas religiões, embora muitas vezes esses seres fossem chamados deuses. No extremo oriente, os espíritos eram considerados como seres humanos mortos resultando na adoração de ancestrais e mesmo na adoração direta a anjos ou demônios.
Certo teólogo, de nome Alexander Hislop, fez um trabalho monumental no final do século XVIII ao traçar conexões entre todas as religiões antigas. Ele comparou a crença e adoração de seres sobrenaturais de nação em nação e de religião em religião. Seu relatório dá maior evidência ao fato de que algo aconteceu em algum lugar nos tempos antigos envolvendo o

relacionamento entre os reinos natural e sobrenatural. O que quer que tenha sido, ainda influencia muitas pessoas em nossos dias.
1.2. Os Anjos no decurso da história
Nas tradições pagãs (algumas das quais influenciaram os judeus de tempos posteriores), os anjos eram, às vezes, considerados divinos, e outras vezes, fenômenos naturais. Eram seres que faziam boas ações em favor das pessoas, ou eram as próprias pessoas que praticavam o bem; tal confusão está refletida no fato de que tanto a palavra hebraica “mal'ãkh”, quanto a grega “angelos” têm dois sentidos. O significado básico de cada uma delas é “mensageiro”. Mas este mensageiro, (dependendo do contexto) pode ser um mensageiro humano comum, ou um mensageiro celestial, um anjo.

Alguns, com base na teoria da evolução, fazem a idéia de anjos remontar ao início da civilização. “O conceito de anjos pode ter evoluído dos tempos pré-históricos quando, então, os seres humanos primitivos emergiram das cavernas e começaram a erguer os olhos aos céus... A voz de Deus já não era a rosnada da floresta, mas o estrondo do céu”. Segundo essa teoria, desenvolveu-se um conceito de anjos que servissem à humanidade como mediadores de Deus. O conhecimento genuíno dos anjos, no entanto, veio somente através da Revelação Divina.
1.3. Na visão da mitologia
Posteriormente, os assírios e os gregos deram asas a alguns desses seres semidivinos. Hermes tinha asas nos calcanhares. Eros, “o espírito voador do amor apaixonado”, tinha asas afixadas aos ombros. Num tom bastante divertido, os romanos inventaram Cupido, “o deus do amor erótico”,

retratado como um garoto brincalhão que atirava flechas invisíveis para encorajar romances. Platão (cerca de 427- 347 a.C.) também falava de “anjos da guarda”. As Escrituras Hebraicas atribuem nomes a somente dois anjos: Gabriel, que iluminou o entendimento de Daniel (Dn 9.21-27), e o arcanjo Miguel, o protetor de Israel (Dn 12.1).
O livro apócrifo de Tobias (200-250 a.C.), porém, inventou um arcanjo chamado Rafael que, repetidas vezes, ajudou Tobias em situações difíceis. Realmente, só existe um arcanjo (anjo principal), que é Miguel (Jd 9). Mais tarde, Filo (20 a.C. à 42 d.C.), o filósofo judaico de Alexandria, no Egito, retratou os anjos como mediadores entre Deus e a raça humana. Os anjos, criaturas subordinadas, habitavam nos ares como “os servos dos poderes de Deus. Eram almas incorpóreas sendo totalmente inteligentes em tudo e possuindo pensamentos puros”.

1.4. Nos primeiros séculos do cristianismo
Durante o período do Novo Testamento, os fariseus acreditavam que os anjos fossem seres sobrenaturais que, freqüentemente, comunicavam a vontade de Deus (At 23.8). Os saduceus, todavia, influenciados pela filosofia grega, diziam: “não há ressurreição, nem anjo, nem espírito” (At 23.8). Para eles, os anjos não passavam de “bons pensamentos e intenções” do coração humano.
Nos primeiros séculos depois de Cristo, os pais da igreja pouco disseram a respeito dos anjos. A maior parte de sua atenção era dedicada a outros assuntos referente à natureza de Cristo. Mesmo assim, todos eles acreditavam na existência dos anjos.

a) Inácio de Antioquia, um dos primeiros pais da igreja, acreditava que a salvação dos anjos dependia do sangue de Cristo;
b) Orígenes (182 - 251 d.C.) declarou a impecabilidade dos anjos, afirmando que, se foi possível a queda de um anjo, talvez seja possível a salvação de um demônio. Semelhante posicionamento acabou por ser rejeitado pelos concílios eclesiásticos;
c) Já em 400 d.C., Jerônimo (347 - 420 d.C.) acreditava que anjos da guarda eram dados aos seres humanos quando do nascimento destes;
d) Posteriormente, Pedro Lombardo (100 - 160 d.C.) acrescentou que um único anjo podia guardar muitas pessoas de uma só vez;
e) Dionísio, o Areopagita, (500 d.C.) contribuiu notavelmente para o estudo dos anjos. Ele retratou o anjo como “uma imagem de Deus, uma manifestação da luz oculta, um espelho puro, brilhante, sem defeito, nem impureza, ou mancha”;
f) Semelhantemente Irineu, quatro séculos antes (130 - 195 d.C.), também construiu hipóteses a respeito de uma hierarquia angelical;
g) Depois, Gregório Magno (540-604 d.C.) atribuiu aos anjos corpos celestiais.
1.5. Perguntas sem respostas
Ao raiar do século XIII, os anjos passaram a ser assunto de muita especulação. O teólogo italiano Tomás de Aquino (1.225 - 1.274 d.C.) formulou perguntas mui relevantes a respeito. Sete das suas 118 conjeturas sondavam as seguintes áreas:
a) De que se compõe o corpo de um anjo? Há mais de uma espécie de anjo?
b) Quando os anjos assumem a forma humana, exercem funções vitais do corpo?
c) Os anjos sabem quando é manhã e quando é entardecer?
d) Conseguem entender muitos pensamentos ao mesmo tempo?
e) Conhecem nossas intenções secretas?
f) Têm capacidade de falar uns com os outros?
1.6. Pintados e cultuados
Mais descritivos foram os retratos pintados pelos renascentistas; representavam os anjos como “figuras varonis ... crianças tocando harpas e trombetas, bem diferentes de Miguel, o arcanjo. Retratos pintados com péssimo gosto como “cupidinhos gorduchinhos”, com muito colesterol, vestidos com pouca roupa, estrategicamente colocados, essas criaturas

eram freqüentemente usadas como friso artístico. O cristianismo medieval assimilou a massa de especulações, e, como conseqüência, começou a incluir a adoração aos anjos em suas liturgias, essa aberração continuou crescendo, levando o Papa Clemente X (1670 - 1676 d.C.) a decretar uma festa em homenagem aos anjos.
1.7. Calvino e Lutero
A despeito dos excessos católicos romanos, o Cristianismo Reformado continuou a ensinar que os anjos ajudam o povo de Deus.
a) João Calvino (1509 - 1564 d.C.) acreditava que “os anjos são despenseiros e administradores da beneficência de Deus para conosco... Mantêm a vigília, visando a nossa segurança; tomam a seu encargo a

nossa defesa; dirigem os nossos caminhos, e zelam para que nenhum mal nos aconteça”.
b) Martinho Lutero (1483 - 1546 d.C.) em “Conversas à Mesa”, falou em termos semelhantes. Observou como esses seres espirituais, criados por Deus, servem à Igreja e ao Reino. Eles ficam mui perto de Deus e do cristão. “Estão em pé diante da face do Pai, perto do sol, mas sem esforço vêm rapidamente socorrer-nos”.
1.8. Pós-reforma
Na Era do Racionalismo (cerca de 1800 d.C.), surgiram graves dúvidas contra a existência do sobrenatural; os ensinamentos historicamente aceitos pela Igreja começaram a ser reexaminados. Como conseqüência, alguns céticos resolveram chamar os anjos “personificações de energias divinas, ou princípios bons e maus, ou doenças e influências naturais”.

Já em 1918, alguns eruditos judaicos começaram a ecoar a voz liberal, afirmando que os anjos não eram reais, pois desnecessários. “Um mundo de leis e de processos não precisa de uma escada viva para levar-nos da Terra até Deus, nas alturas”. Isso não abalou a fé dos evangélicos conservadores que continuam a confirmar a validade dos anjos.
1.9. O Consenso do cenário moderno
a) Foi talvez o teólogo liberal Paul Tillich (1886 - 1965) quem postulou o conceito mais radical do período moderno. Considerava os anjos essências platônicas: emanações da parte de Deus. Acreditava que os anjos queriam voltar à essência divina da qual surgiram para serem iguais a Deus. Tillich aconselhava: “Para interpretar o conceito dos anjos de modo relevante, hoje, interprete-os como as essências platônicas, como os poderes da

existência, e não como seres especiais. Se você interpretá-los desta última maneira, tudo não passará de grosseira mitologia”.
b) Karl Barth (1886 - 1968) e Miliard Erickson (1932), entretanto, encorajavam uma abordagem mais cautelosa e sadia. Barth, o pai da neo-ortodoxia, achava ser o assunto “o mais notável e difícil de todos”. Reconhecia o enigma do intérprete: Como “avançar sem ser precipitado”; estar “ao mesmo tempo aberto e cauteloso, crítico e ingênuo, perspicaz e modesto?”
c) Erickson, teólogo conservador, acrescentou que poderíamos ser tentados a omitir, ou negligenciar, o estudo dos anjos, porém “se é para sermos estudiosos fiéis da Bíblia, não temos outra escolha senão falar a respeito deles”.

2 - A DOUTRINA BÍBLICA DOS ANJOS
2.1. Preâmbulo
Muito se tem escrito no mundo secular e religioso acerca dos anjos, explorando a credulidade de pessoas espiritualmente carentes e supersticiosas, induzindo-as à conceituações erradas e falsas sobre o mundo espiritual. Nesta disciplina, procuraremos aclarar a verdade e a realidade do assunto segundo a revelação feita pela Bíblia Sagrada. Não poucas passagens das Escrituras ensinam que há uma ordem de seres celestiais totalmente distintos da humanidade e da Divindade, que ocupam uma posição exaltada acima da atual posição do homem caído. Estes seres celestiais são mencionados pelo menos 108 vezes no Antigo Testamento e 165 vezes no Novo Testamento, e a partir deste conjunto de Escrituras o estudante pode criar a sua “doutrina dos Anjos”.

2.2. Etimologia e conceito do termo
A palavra portuguesa anjo possui origem no latim angelus, que por sua vez deriva-se do grego angelos. No idioma hebraico, temos mal'ãk. Seu significado básico é “mensageiro” (para designar a idéia de ofício de mensageiro). O grego clássico emprega o termo angelos para o mensageiro, o embaixador em assuntos humanos, que fala e age no lugar daquele que o enviou.
No Antigo Testamento , onde o termo mal'ãk ocorre 108 vezes, os anjos aparecem como seres celestiais, membros da corte de Yahweh, que servem e louvam a Ele (Ne 9.6; Jó 1.6), são espíritos ministradores (1Rs 19.5), transmitem a vontade de Deus (Dn 8.16,17)), obedecem a vontade de Deus (Sl 103.20), executam os propósitos de Deus (Nm 22.22), e celebram os louvores de Deus (Jó 38.7; Sl 148.2).

No Novo Testamento, onde a palavra angelos aparece por 175 vezes, os anjos aparecem como representativos do mundo celestial e mensageiros de Deus. Funções semelhantes às do Antigo Testamento são atribuídas a eles, tais como: servem e louvam a Cristo (Fp 2.9-11; Hb 1.6), são espíritos ministradores (Lc 16.22; At 12.7-11; Hb 1.7,14), transmitem a vontade de Cristo (Mt 2.13,20; At 8.26), obedecem a vontade dEle (Mt 6.10), executam os Seus propósitos (Mt 13.39-42), e celebram os louvores de Cristo (Lc 2.13,14). Ali, os anjos estão vinculados a eventos especiais, tais como: a concepção de Cristo (Mt 1.20,21), Seu nascimento (Lc 2.10-12), Sua ressurreição (Mt 28.5,7) e Sua ascensão e Segunda Vinda (At 1.11).
O termo teológico apropriado para esse estudo que ora iniciamos é Angelologia (do grego angelos, “anjo” e logia, “estudo”, “dissertação”). Angelologia se constitui, portanto, de doutrina específica dentro do contexto daquilo que denominados de Teologia Sistemática, a qual se

ocupa em estudar a existência, as características, natureza moral e atividades dos anjos.
Quando consideramos os anjos, como nas outras doutrinas, existe campo para o uso da razão. Considerando que Deus é Espírito (Jo 4.24), que não participa de maneira nenhuma dos elementos materiais, é natural presumir que existem seres criados que se assemelham mais com Deus do que com as criaturas terrestres que combinam o elemento material com o imaterial. Há um reino material, um reino animal e um reino humano; assim, podemos presumir que há um reino angélico ou espiritual. Contudo, a Angelologia não repousa sobre a razão ou a suposição, mas sobre a “Revelação”.
2.3. Variedade dos termos aplicados aos anjos

Os termos genéricos usados para anjos, geralmente indicam sua atribuição ou função. Relacionamos abaixo alguns destes termos encontrados nas Sagradas Escrituras:
a) Leitourgos (grego) e Mishrathim (hebraico): algumas vezes usadas com o significado de “anjos”, são palavras para “servo” ou “ministro”.
b) Hoste: É a palavra hebraica “sava”. Essa palavra se estende a toda formação do exército celestial de Deus - uma força militar que luta as batalhas e cumprem a vontade de Deus. (Lc 2.13; Ef 6.12; Hb 12.22).
c) Espíritos (Hb 1.14).
d) Vigias: Como em Dn 4.13,17, define anjos como supervisores e agentes de serviço de Deus nos assuntos do mundo. Talvez nessa classe de anjos estejam os que tomam decisões e executam os mandamentos de Deus na Terra.

e) Bene Elim: Ou “filhos poderosos”, é traduzido por “poderosos” no SI 29.1. Essa é a descrição do grande poder dos anjos.
f) Bene Elohim: Ou “filhos de Deus”, define os anjos como uma determinada classe de seres. Este termo inclui Satanás. (Jó 16; 2.1; Sl 29.1; 89.6).
g) Elohim: separadamente é algumas vezes aplicada aos anjos. Ela retrata os anjos como uma classe de seres sobrenaturais, de força mais elevada que a do homem. Quando os anjos apareceram a Jacó em Betel, o termo usado é Elohim (Gn 35.7).
h) Estrelas: É o termo simbólico usado para os anjos, sugerindo que sua habitação é os céus (Ap 12.4).
i) Um sacerdote (Ml 2.7). O sacerdote é chamado de mensageiro, “anjo” do Senhor.
j) Santos (Sl 89.5-7).
k) Os seres celestiais (Sl 29.1; 89.6) têm esse título.

l) Um uso mais amplo ainda inclui também a coluna de nuvem (Êx 14.19).
m) A pestilência (2Sm 24.16,17).
n) Os ventos (Sl 104.4).
o) E as pragas (Sl 78.49).
p) Paulo chamou seu espinho na carne de anjo, isto é, “mensageiro de Satanás” (2Co 12.7; Gl 4.13,14).
q) Pastores da igreja (Ap 2.1,8,12). Os sete anjos das sete igrejas da Ásia Menor podem ter sido os sete bispos dessas igrejas que visitaram João na Ilha de Patmos.
r) Estrelas. Jesus Cristo diz que tem na Sua mão as sete estrelas (Ap 1.20b). “... As sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais, que viste, são as sete igrejas.”
s) Principados, poderes, tronos, dominações e autoridades (Cl 1.16; Rm 38; 1Co 15.24; Ef 6.12; Cl 2.15).

t) Congregação/ assembléia (Sl 89.6,7).
u) Os anjos são mensageiros ou servidores celestiais de Deus (Hb 1.14). “Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação”?
2.4. Deus é autor de todas as coisas visíveis e invisíveis
O ponto de partida está na declaração de que todas as coisas criadas foram feitas “segundo o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade” (Ef 1.11b). Portanto, o relato da obra da criação no livro de Gênesis se constitui como o princípio e a base de toda a revelação divina e, conseqüentemente, a base da relação do homem com Deus. A Bíblia revela que o Deus Trino é o Autor da criação (Gn 1.1; Is 40.12; 44.24; 45.12). O apóstolo Paulo destaca a Pessoa de Jesus Cristo, na qualidade de criador, mas diz que “todas as coisas são de

Deus, o Pai” (1Co 8.6; Jo 1.3; Cl 1. 15-17). O Espírito Santo participa da obra da criação em harmonia perfeita com o Pai e o Filho conforme indicam os textos de Gn 1.2; Jó 26.13; 33.4; Sl 104.30; Is 40.12,13.
2.4.1. A obra da criação foi feita por um ato livre da parte do criador
A Bíblia deixa claro que Deus é auto-suficiente e não tem qualquer relação de dependência de nada e de ninguém (Jó 22.3,13; At 17.25). Ao realizar a obra da criação, Ele o fez não por necessidade, mas por sua soberana e livre vontade de fazer o que quer e o que lhe apraz. Ora, a única dependência divina é a de sua própria e soberana vontade. A Bíblia Sagrada refuta essa idéia e fortalece o fato de que “Deus fez todas as coisas segundo o conselho da sua vontade” (Ef 1.11; Ap 4.11).
2.4.2. A obra da criação teve um começo

A criação teve um princípio tanto para as visíveis como para as invisíveis. A prova irrefutável do ponto de vista bíblico está no primeiro versículo da Bíblia: “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). A expressão “no princípio” no hebraico é bereshith, que literalmente significa “começo”. O sentido da palavra é indefinido e sugere que a criação teve um início, um começo (Sl 90.2; 102.25). Por essas Escrituras, entende-se que, num momento específico, conforme sua soberana vontade, Deus criou a matéria e a substância que antes nunca existiram. Quanto à existência do mundo espiritual, o princípio é o mesmo estabelecido para a criação da matéria, pois Deus criou tudo do nada.
2.4.3. A criação das coisas materiais
A base dessa declaração está na narrativa bíblica dos primeiros capítulos de Gênesis. Entretanto, a criação material é imensa e abrange todo o

sistema solar e outros sistemas existentes e descobertos pelo homem. A extensão dos corpos celestes espalhados no espaço sideral, fazendo parte da Via Láctea, com muitos sóis, planetas e satélites, nos dá visão apenas limitada de toda a grandeza da criação material (Ne 9.6).
Na criação da terra, o Criador formou a vida física numa combinação do imaterial com o material (Gn 1.11,20-22). Nesta ordem da criação são incluídos o homem, os animais nas mais variadas espécies, além da vida vegetal. Há uma certa reciprocidade entre anjos e homens como seres espirituais. Porém, é preciso distinguir ambas as criações, porque os anjos são apenas seres espirituais e os homens são seres espirituais e materiais. A vida dos anjos é apenas espiritual. A vida física foi criada para propagar-se, por isso, os homens procriam e geram outros homens. A vida dos anjos é única e eterna; não pode propagar-se, isto é, os anjos não procriam.

2.4.4. A criação das coisas espirituais
Ao responder aos questionamentos do patriarca Jó, o Criador disse-lhe, de modo enfático e poético que, quando este ainda nem havia nascido, nem o mundo material havia sido criado, os seus anjos, que são espíritos criados por Ele, já estavam presentes na criação do mundo material (Jó 38.1-7). Nesta Escritura, Deus procura convencer a Jó que o Senhor é o Criador da terra e a rege com justiça e que, ao criar o mundo material, as estrelas da alva alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam (Jó 38.7). Na linguagem figurada da Bíblia, tanto “as estrelas da alva” quanto “os de Deus” são figuras dos seres espirituais criados pelo Senhor.
2.5. A origem dos anjos

Dois fatos devem ser levados em conta. O primeiro é que os anjos não existem desde a eternidade. Isto por um lado é mostrado pelos versículos que falam de sua criação, Ne 9.6: “Tu fizeste o céu, o céu dos céus, e todo o seu exército” Sl 148.2,5: “Louvai-o todos os seus anjos; louvai-o todas as suas legiões celestes... louvem o nome do Senhor, pois mandou ele, e foram criados”. Por outro lado está subentendido na declaração de 1Tm 6.16, onde afirma que Deus é “o único que possui imortalidade”. O outro fato diz respeito a época de sua criação. Não é indicada com precisão em parte alguma na Bíblia, contudo é mais provável que tenha se dado juntamente com a criação dos céus em Gn 1.1. Pode ser que Deus os tenha criado imediatamente após ter criado os céus e antes de ter criado a terra, pois de acordo com Jó 38.4-7, “rejubilaram todos os filhos de Deus” quando Ele lançava os fundamentos da terra.
2.5.1. Sua existência

A existência dos anjos é claramente demonstrada pelo ensino, tanto do Antigo, quanto do Novo Testamentos. São inúmeros os textos do Antigo Testamento que comprovam a realidade da existência dos anjos. Queremos, no entanto, destacar apenas os que se seguem: Gn 32.1,2; Jz 6.11ss; 1Rs 19.5; Ne 9.6; Jó 1.6; 2.1; Sl 68.17; 91.11; 104.4; Is 6.2,3; Dn 8.15-17; Nos textos alistados anteriormente, vemos os anjos em suas funções principais de servir e louvar a Yahweh, transmitir as mensagens de Deus, obedecer A Sua vontade, executar a vontade de Deus, e também como guerreiros. No contexto do Novo Testamento, os anjos não são apresentados simplesmente como “mensageiros de Deus”, mas também como “ministros aos herdeiros da salvação” (Hb 1.14). Outrossim, a existência dos anjos é apresentada de maneira inequívoca no Novo Testamento. Vejamos, por exemplo, os textos a seguir: Mt 13.39; 13.41; 18.10; 26.53; Mc 8.38; Lc 22.43; Jo 1.51; Ef 1.21; Cl 1.16; 2Ts 1.7; Hb 1.13,14; 12.22; 1Pe 3.22; 2Pe 2.11; Jd 9; Ap 12.7; 22.8,9.

A Bíblia fala da manifestação dos anjos na obra da criação do mundo físico (Jó 38.6,7). Eles estavam presentes quando Moisés recebeu de Deus as tábuas da Lei (Hb 2.2); no nascimento de Jesus (Lc 2.13); quando foram servir ao Senhor Jesus no deserto da tentação (Mt 4.11); na ressurreição de Cristo (Mt 28.2; Lc 24.4,5); na ascensão de Cristo (At 1.10). Outras manifestações podem ser listadas neste ponto em toda a Bíblia. Sua manifestação é incorpórea; eles são seres espirituais e morais, porque acima de tudo, são pessoas. A realidade dos anjos se comprova mediante os atributos de personalidade que eles demonstram falando, pensando, sentindo e decidindo. Muitas das suas manifestações são feitas através de formas materiais inexistentes. Entretanto, os demônios, que são anjos caídos da graça de Deus, incorporam em corpos de pessoas vivas ou de animais, e por essas possessões materiais, se manifestam. Os anjos de Deus não tomam outros corpos para se manifestarem, mas tomam formas de pessoas humanas visíveis para se fazerem manifestos.

2.5.2. A origem dos anjos
A época de sua criação não é indicada com precisão em parte alguma, mas é provável que tenha se dado juntamente com a criação dos céus (Gn 1.1). Pode ser que tenham sido criados por Deus imediatamente após a criação dos céus e antes da criação da terra, pois de acordo com Jó 38.4-7, rejubilavam todos os filhos de Deus quando Ele lançava os fundamentos da terra. Que os anjos não existem desde a eternidade é mostrado pelos versículos que falam de sua criação (Ne 9.6, Sl 148.2,5; Cl 1.16). Embora não seja citado número definido na Bíblia, acredita-se que a quantidade de anjos é muito grande (Dn 7.10; Mt 26.53; Hb 12.22).
2.5.3. O propósito da criação

Os anjos foram criados para darem glória, honra e ações de graça a Deus; para adorarem a Cristo (Hb 1.6); para cumprirem os propósitos de Deus: proteção de Israel (Dn 12.1), luta contra Satanás (Jd 9; Ap 12.7), anunciar a vinda de Cristo (1Ts 4.16), guardarem o trono de Deus (Ez 10.1-4), se preocuparem com a adoração a Deus perante o Seu Santo Trono (Is 6.2-7), assistirem a Deus em sua obra Soberana (Cl 1.16; 2.10; Ef 1.21; 3.10).
2.6. Existem anjos bons e anjos maus
Na criação original dos anjos, não houve essa classificação entre bons e maus. A Bíblia declara que os anjos foram criados no mesmo nível de justiça, bondade e santidade (2Pe 2.4; Jd 6). O que define entre bons e maus é o fato de que foram criados como seres morais com livre-arbítrio, e daí, a liberdade de escolha consciente entre o bem e o mal. A queda de Lúcifer deve-se a esta condição moral dos anjos (Is 14.12-16; Ez 28.12-

19). A Bíblia fala acerca dos anjos que pecaram contra o Criador e não guardaram a sua dignidade (2Pe 2.4; Jd 6; Jó 4.18-21). Aos anjos que não pecaram e não seguiram a Lúcifer, Deus os exaltou e os confirmou em sua posição celestial e para sempre estarão na sua presença, contemplando e executando a vontade do Criador. São chamados de “anjos eleitos” (1Tm 5.21) e evidentemente receberam graça suficiente para habilitá-los a manter sua posição de perseverança, pela qual foram confirmados em sua condição e agora são incapazes de pecar. São chamados também de “santos anjos” (2Co 11.14). Sempre contemplam a face Deus (Lc 9.26), e tem vida imortal (Lc 20.36). Sua atividade mais elevada é a adoração a Deus (Ne 9.6; Fp 2.9-11; Hb 1.6; Jó 38.7; Is 6.3; Sl 103.20; 148.2 Ap 5.11).
2.7. O número de Anjos

Várias passagens das Escrituras indicam que há um número muito grande de anjos (Dn 7.10; Mt 26.53; Sl 68.17; Lc 2.13; Hb 12.22), e são repetidamente mencionados como exércitos dos céus ou de Deus. No Getsêmani, Jesus disse a um discípulo que queria defendê-los dos que vieram prendê-lo: “Acaso pensas que não posso rogar ao meu pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos”? (Mt 26.53). Portanto, seu criador e mestre é descrito como “Senhor dos Exércitos”.
Outrossim, a quantidade existente de anjos é única e incontável, porque desde que foram criados não foram aumentados nem diminuídos. Eles não procriam e foram criados de uma vez pelo poder da Palavra de Deus. A Bíblia utiliza expressões variadas para designar “milhares de milhares”, “multidão dos exércitos celestiais”, “muitos milhares de anjos” (Ap 5.11; Dn 7.10; Dt 33.2; Hb 12.22; Lc 2.13). É impossível determinar o número de anjos porque é incontável e é o mesmo número em todos os tempos, desde que foram criados (Sl 148.2-5).

3 - A NATUREZA DOS ANJOS
3.1. Não são seres humanos glorificados
Em Mateus 22.30 está escrito “que seremos como anjos”, mas não diz que seremos anjos. No futuro, os crentes hão de julgar os anjos “Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida? (1Co 6.3). Embora havemos de julgar os anjos maus, isso é diferente de dizer que seremos anjos. As “incontáveis hostes de anjos” são diferenciadas dos “espíritos dos justos aperfeiçoados” (Hb 12.22,23).
3.2. Não são os filhos de Deus em Gênesis seis

Os anjos são chamados “Filhos de Deus” no Velho Testamento nas referências de Jó 1.6; 2.1; 38.7. Deve ser observado, porém, que, apesar de serem assim chamados, os homens também o foram (Lc 3.38; Jo 1.12; 1Jo 5.1-2). A palavra original é “Benai-Elohim” - filhos de Deus.
Que os filhos de Deus se refere aos anjos, neste texto de Gn 6, é a posição tomada por Josefo, Filo Judeus e os autores do Livro de Enoque e do Testamento dos Doze Patriarcas. Era a posição geralmente aceita pelos judeus eruditos dos primeiros séculos da era cristã. A impressão que geraram “gigantes” foi da Septuaginta (LXX), que também traduziu todos os manuscritos, substituindo “filhos de Deus” por “anjos de Deus” em Gn 6; Jó 1.6 e 2.1, e por “meus anjos” em Jó 38.7.
“...Estes eram os valentes que houve na antigüidade, os homens de fama” (Gn 6.4). Filhos do relacionamento entre “os filhos de Deus” com as “filhas

dos homens”. Esta é a definição original dos textos da palavra de Deus e não “NEFILINS”, que encontramos em alguns textos traduzido e não confiáveis, conforme The Theological Workbook of the Old Testament, por Harris, Archer e Waltke.
3.2.1. Teoria equivocada de que os “filhos de Deus” eram anjos
a) As referências de Jó 1.6; 2.1; 38.7.
b) A relação anormal produziu gigantes impiedosos.
c) Anjos podem aparecer como homens (Gn 19.1,5); ou em homens (Mc 1.23-26; Mc 5.13). O Dr. Henry Morris diz: “Os filhos de Deus e as filhas dos homens são homens e mulheres, mas foram possessos por demônios”.

d) Em Mt 22.30, o Senhor estava apenas explicando que os anjos não se reproduzem como os humanos. Não há prova que os anjos não têm sexo. Nos originais, a palavra anjos, sempre é no gênero masculino. Alguém explica que os anjos não se reproduzem porque não existe “anjas”.
e) As referências associadas com Judas 6; 1Pd 3.8-20; 2Pd 2.4-6.
f) Esta teoria foi assegurada por historiadores como Josefo e Plínio.
g) Os livros apócrifos (3 deles), asseguram esta posição.
h) É considerado que houve duas quedas dos anjos, uma quando Satanás liderou a rebelião, antes da queda do homem e outra em Gn 6 (teoria defendida por Clarence Larkin).
3.2.2. Teoria de que os “filhos de Deus” não eram os anjos e sim os descendentes de Sete

Em Gênesis 6 encontramos a corrupção geral do gênero humano bem como um protesto de Deus contra os casamentos entre os da linhagem reta de Sete e os da linhagem ímpia de Caim. Eis o texto: v.1 “E aconteceu que, como os homens começaram a multiplicar-se sobre a face da terra, e lhes nasceram filhas, viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram. Então, disse o SENHOR: Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem, porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos”.
Esses filhos de Deus, sem dúvida, não eram anjos como teorizam alguns, mas, descendentes da linhagem piedosa de Sete (Dt 14.1; Sl 73.15; Os 1.10); eles deram início aos casamentos mistos com as filhas dos homens, isto é, mulheres da família ímpia de Caim. A teoria de que os filhos de Deus eram anjos, não subsiste ante as palavras de Jesus, que os anjos não se casam (Mt 22.30; Mc 12.25). Essa união entre os justos e os ímpios levou à maldade do versículo 5, isto é, os justos passaram a uma vivência

iníqua. Como resultado, a terra corrompeu-se e encheu-se de violência. Observemos alguns pontos que invalidam a teoria de que os filhos de Deus neste eram anjos:
a) Se anjos de fato se relacionam sexualmente com mulheres, este é um prodígio espetacular da história que viola as normas da natureza, e não há nada na Bíblia que diga que anjos têm poderes sexuais.
b) Em Gn 6, encontramos em seu contexto a seqüência do termo “homem”, vv 1,2,3.
c) A distinção entre os “filhos de Deus” e Satanás nos textos de Jó 1.6; 2.1 de modo que, claramente entendemos que o título “filhos de Deus” não se refere aos anjos caídos.
d) Se esta relação entre anjos e mulheres gerou os “nefilins-gigantes”, como se explica a presença destes, antes deste ato, e depois do dilúvio em Nm 13.33?

e) A linguagem de Gn 6.2 é normal para expressar relação entre humanos.
f) Os textos do Novo Testamento não provam que são anjos: (a) 1Pd 3.18-20 não menciona nada sobre estes “espíritos em prisão” serem anjos, pelo contrário, o contexto indica homens (1Pd 4.6); (b) 2Pd 2.4 e Judas 6,7 são referências de anjos, mas não provam que estiveram envolvidos em Gn 6.
g) Os livros apócrifos, provavelmente foram produzidos pelos essênios, os quais adotaram a interpretação angélica. E tão somente pelo fato de serem apócrifos, isso lhes nega toda autenticidade em termo de canonicidade.
3.3. São seres espirituais
Os anjos são descritos espíritos, porque diferentes dos homens, eles não estão limitados às condições naturais e físicas. Aparecem e desaparecem, e movimentam-se com uma rapidez imperceptível sem usar meios naturais. Apesar de serem espíritos, têm o poder de assumir a forma de corpos

humanos a fim de tornar visível sua presença aos sentidos do homem (Gn 19.1-3).
3.4. São espíritos invisíveis
Os anjos são reais, mas nem sempre visíveis (Hb 12.22). Embora Deus ocasionalmente lhes conceda a visibilidade (Gn 19.1-22), são espíritos invisíveis (Sl 104.4; Hb 1.7,14).Vejamos o Sl 104.4: “Fazes a teus anjos ventos”, citado em Hb 1.7. Observe também Hb 1.14; “Não são todos eles espíritos ministradores enviados para serviços, a favor dos que hão de herdar a salvação”?
3.5. Possuem corpos espirituais

Com demasiada freqüência o problema é confundido pela imposição aos seres espirituais daquelas limitações que pertencem à humanidade. Para os santos no céu foi prometido um “corpo espiritual” (1Co 15.44). Há muitos tipos de corpos até mesmo na Terra, o Apóstolo declara (1Co 15.39,40) e prossegue dizendo que também há corpos celestiais e corpos terrestres. Não podemos dizer que não há corpos celestiais apenas porque o homem não tem poder de discernir esses corpos. Os espíritos têm uma forma definida de organização que está adaptada à lei de sua existência. Eles são finitos e espaciais. Tudo isto é verdade embora eles estejam muito afastados desta economia do mundo. Eles têm a capacidade de se aproximar da esfera da vida humana, mas o fato de maneira nenhuma lhes impõe a conformidade com a existência humana. O aparecimento de anjos pode ser, quando a ocasião exige, com a aparência de homens, de modo que eles se passam por homens. Como poderíamos explicar de outra maneira que alguns “... sem o saber acolheram anjos...” (Hb 13.2)? Por outro lado, seu aparecimento às vezes é deslumbrante e glorioso (Mt 28.2-4). Quando Cristo declarou: “...um espírito não tem carne nem ossos, como

vedes que eu tenho...” (Lc 24.37-39), Ele não quis dizer que um espírito não tem corpo algum, mas, antes, que os espíritos têm corpos constitucionalmente diferentes dos corpos dos homens.
3.6. São exércitos e não raça
As Escrituras ensinam que o casamento não é da ordem ou do plano de Deus para os anjos: “Porque na ressurreição nem casam, nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos do céu” (Mt 22.30; Mc 12.25). Portanto, não se caracteriza uma raça. No Velho Testamento os anjos são chamados de “filhos de Deus” (Jó 1.6; 2.1; 38.7), mas nunca lemos a respeito dos “filhos dos anjos”. Os anjos sempre são descritos como varões, porém na realidade não tem sexo, não propagam sua espécie (Lc 20.34-35).

As Escrituras em parte alguma ensinam que os anjos sejam seres sexuados. No fundamento genuíno criador de Deus, não foi deixada margem alguma para se acreditar na reprodução de seres da escala espiritual. Sobre este assunto, apenas nos foi revelado as leis que regem os seres naturais ou materiais. Não conhecemos nenhum texto Sagrado explícito ou sequer subjetivo que nos conduza ao pensamento de que os anjos podem se reproduzir, ou possuam sexo. Seus nomes masculinos, não se refere em nenhum momento à uma ordem de sexualidade humana (macho e fêmea).
Acreditamos sim que os anjos não se reproduzem, pois a obra criadora de Deus revelada em Sua Palavra, se fez desse modo, e qualquer indagação ou afirmação contrária é mera especulação e apostasia da veracidade bíblica.

3.7. São seres racionais morais e imortais
Aos anjos são atribuídas características pessoais; são inteligentes dotados de vontade e atividade. O fato de que são seres inteligentes parece inferir-se imediatamente do fato de que são espíritos (2Sm 14.20; Mt 24.36, Ef 3.10; 1Pe 1.12; 2Pe 2.11). Embora não sejam oniscientes, são superiores aos homens em conhecimento (Mt 24.36) e por ter natureza moral estão sob obrigação moral; são recompensados pela obediência e punidos pela desobediência.
A Bíblia fala dos anjos que permanecerem leais como “santos anjos” (Mt 25.31; Mc 8.38; Lc 9.26; At 10.22; Ap 14.10) e retrata os que caíram como mentirosos e pecadores (Jo 8.44; 1Jo 3.8-10).
A imortalidade dos anjos está ligada ao sentido de que os anjos bons não estão sujeitos a morte (Lc 20.35-36), além de serem dotados de poder

formando o exército de Deus, uma hoste de heróis poderosos, sempre prontos para fazer o que o Senhor mandar (Sl 103.20; Cl 1.16; Ef 1.21; 3.10; Hb 1.14) enquanto que os anjos maus formam o exército de Satanás empenhado em destruir a obra do Senhor (Lc 11.21; 2Ts 2.9; 1 Pe 5.8).
Ilustrações do poder de um anjo são encontradas na libertação dos apóstolos da prisão (At 5.19; 12.7) e no rolar da pedra de mais de 4 toneladas que fechou o túmulo de Cristo (Mt 28.2).
3.8. Os Anjos não são oniscientes
Apesar da Bíblia dizer que os anjos são mais inteligentes que Daniel, eles não são oniscientes. Eles não sabem tudo. Não são iguais a Deus em sabedoria. Jesus, particularmente, deu testemunho da limitação do

conhecimento dos anjos, quando falou que eles ignoravam o dia da vinda do Filho do Homem (Mt 24.36).
Os anjos, sem dúvida, sabem coisas a nosso respeito que desconhecemos. Devido ao fato de serem espíritos auxiliadores, usarão estes conhecimentos para o nosso bem e nunca para maus propósitos.
3.9. São seres inteligentes
Embora seu serviço e dignidade possam variar, não há nenhuma implicação na Bíblia de que alguns anjos são mais inteligentes que outros. Cada aspecto da personalidade dos anjos foi declarado. Eles são seres individuais e, embora espíritos, experimentam emoções.

a) Os anjos prestam culto inteligente (Sl 148.2);
b) os anjos contemplam com o devido respeito à face do pai (Mt 18.10);
c) os anjos conhecem suas limitações (Mt 24.36);
d) os anjos reconhecem sua inferioridade para com Jesus (Hb 1.4-14).
E, no caso dos anjos caídos, eles conhecem a sua capacidade de fazer o mal. Os anjos são individuais, mas, embora às vezes apareçam, em uma condição separada, estão sujeitos a classificações e a variadas categorias de importância.
Pela sublime tarefa que os anjos desempenham no tempo e no espaço, desde o princípio; e por aquilo que a respeito deles a Bíblia diz, a conclusão a que se chega é que os anjos excedem em muito em

conhecimento e em sabedoria os mais brilhantes homens que a história humana já teve.
Sem dúvida, os anjos foram criados espíritos inteligentes, cujo conhecimento teve início em sua origem, continuando a se ampliar até os nossos dias. As oportunidades de observação que os anjos têm, e as muitas experiências que, nesse sentido, conforme podemos supor, devem ter tido, juntamente com as revelações diretas da parte de Deus, devem ter-se adicionado grandemente ao acúmulo de sua inteligência original.
3.10. Os Anjos são poderosos
O que se aplica a todas as criaturas em relação ao poder que têm, também se aplica aos anjos: Seu poder deriva de Deus. O seu poder, embora seja grande, é restrito. Eles não podem fazer aquelas coisas que são peculiares

à Divindade: criar, agir sem os meios, ou sondar o coração do homem. Eles podem influenciar a mente humana como uma criatura pode influenciar outra. O conhecimento desta verdade é de grande importância, Até mesmo um anjo pode reivindicar ajuda divina quando em conflito com outro anjo (Jd v.9).
O poder angelical é superior, mas não supremo. Deus simplesmente lhes empresta o seu poder, pois eles são os seus agentes especiais. Os anjos, portanto, são “maiores em força e poder” do que nós (2Pe 2.11), Como “magníficos em poder, que cumpris as suas ordens,” (SI 103.20) “anjos poderosos” mediarão os juízos finais de Deus contra o pecado (2Ts 1.7).
3.11. Os Anjos são numerosos

A alusão ao número dos anjos é um dos superlativos da Bíblia. Eles foram descritos em multidões “que os homens não podem contar”. Temos razões para concluir que há tantos seres espirituais em existência quantos seres humanos vão existir em toda a história da Terra. É significativo que a frase “o exército do céu” descreve tanto as estrelas materiais quanto os anjos, sendo que ambos não podem ser contados (Gn 15.5). Vale a citação do Dr. Cooke com a sua lista de testemunho bíblico sobre o número dos anjos: “Veja o que diz Macaias: “Vi o Senhor assentado no seu trono, e todo o exército do céu estava junto a ele, à sua direita e à sua esquerda” (1Rs 22.19). Ouça o que diz Davi: “Os anjos de Deus são vinte mil, sim milhares de milhares” (SI 68.17). Eliseu viu um destacamento destes seres celestiais que foram enviados para sua guarda pessoal, quando “o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu” (2Rs 6.17). Ouça o que Daniel viu: “... milhares de milhares o serviam, e miríade de miríade estavam diante dele...” (Dn 7.10). Eis o que os pastores vigilantes viram e ouviram na noite do nascimento do Redentor: “...uma multidão da milícia celestial louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas maiores alturas...”

(Lc 2.13). Ouça o que diz Jesus: “... acaso pensas que não posso rogar a meu Pai, e ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos?” (Mt 26.53).
Veja novamente o magnífico espetáculo que João viu e ouviu quando olhou para o mundo celestial: “Vi, e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos, cujo número era de milhões de milhões e milhares de milhares, proclamando em grande voz. Digno é o Cordeiro, que foi morto...” (Ap 5.11,12). Se estes números forem entendidos literalmente, eles indicam 202 milhões, mas são apenas uma parte do exército celestial. Contudo, é provável que estes números não tenham a intenção de indicar qualquer quantidade exata, mas que a multidão era imensa, além do que costuma usualmente entrar na computação humana. Por isso lemos, em Hb 12.22, não sobre um número definido ou limitado, embora grande, mas de “incontáveis hostes de anjos”.

3.12. Os Anjos são maiores em força e poder
“Enquanto os anjos, sendo maiores em força e poder não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Senhor” (2Pe 2.11), estes seres celestiais, já contam na presente Era com a felicidade da vida última, isto é, são seres imortais (Lc 20.36). Esta capacidade a eles imposta, lhes dá a condição de serem superiores aos homens que são seres mortais.
3.13. Inferiores a Cristo
“Ainda que por um pouco de tempo, Jesus fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão e morte” (Sl 8.5; Hb 2.9). Quanto à pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo, os anjos são inferiores a Ele em dois pontos.

a) Os Anjos são criaturas. Os anjos são “criaturas” de Deus, ainda que chamados “filhos de Deus”, contudo, não têm em si a condição original peculiar ao Senhor Jesus. O escritor aos Hebreus, salienta: “... feito Jesus tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles...” (Hb 1.4).
b) Os Anjos são adoradores. Em razão da adoração, os anjos são inferiores a Cristo; eles são adoradores, enquanto que Cristo é adorado! Isto é depreendido nas próprias palavras do Criador: “... e todos os anjos de Deus o adorem” (Hb 1.6b). Este direito inerente ao Filho de Deus o coloca acima deles.
As Escrituras dizem que os anjos são seres superiores em força e poder aos homens: contudo, jamais em hipótese alguma, eles aceitam adoração; em lugar de os anjos serem objeto de adoração, eles são súditos que

adoram Jesus Cristo. O apóstolo Paulo advertiu: “Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos...” (CI 2.18a). E no Apocalipse (19.10; 22.9) João é advertido pelo próprio ser angelical: “...Olha não faças tal, porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, dos profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus”.
Portanto, os anjos não são objetos de adoração como João chegou a supor momentaneamente. E no contexto do significado do pensamento diz Paulo: “Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 8.38,39). Ora, isto apresenta Cristo como sendo Senhor dos próprios anjos. E de fato, Ele foi feito mais excelente do que os anjos (Hb 1.4). Os anjos foram criados; Cristo é Criador: Como Criador Jesus é superior aos anjos, pois maior do que a criatura é aquele que a criou (Is 45.9). Anjos são súditos; Cristo é o Senhor.

3.14. Os Anjos tomam decisões
Os anjos tomam decisões. A desobediência de um grupo deles subentende sua capacidade de escolha, e de influenciar outros com a sua iniqüidade (1Tm 4.1). Por outro lado, quando o bom anjo recusou a adoração de João (Ap 22.8,9), fica subentendida sua capacidade de escolha, e de influenciar outros com o bem. Embora os anjos bons respondam com obediência ao mandamento de Deus, não são autômatos. Pelo contrário: optam com intenso ardor a obediência dedicada.
3.15. Os Anjos possuem habitação
A habitação dos anjos também é um assunto revelado definidamente. Já falamos da insinuação de que todo o Universo encontra-se habitado por inumeráveis exércitos de seres espirituais. Esta vasta ordem de seres com

todas as suas classificações tem habitações e centros fixos para as suas atividades. Com o uso da frase “os anjos no céu” (Mc 13.32), Cristo definidamente afirma que os anjos habitam as esferas celestiais.
O apóstolo Paulo escreve: “um anjo vindo do céu” (Gl 1.8) e “...toda família, tanto no céu como sobre a terra...” (Ef 3.15). Igualmente, na oração que Cristo ensinou aos Seus discípulos, eles foram instruídos a dizer: “... faça-se a Tua vontade, assim na Terra como no céu...” (Mt 6.10). O Dr. A. C. Gaebelein escreve sobre a habitação dos anjos, dizendo: “No hebraico, céu está no plural ‘os céus’. A Bíblia fala de três céus, sendo o terceiro céu, o céu dos céus, o lugar da habitação de Deus, onde o Seu trono sempre esteve. O tabernáculo do Seu povo terreno, Israel, era um modelo dos céus. Moisés, quando esteve na montanha, olhou para a vastidão dos céus e viu os três céus. Ele não tinha telescópio. Mas o próprio Deus lhe mostrou os mistérios dos céus. Então Deus o advertiu quando estava para construir o tabernáculo, dizendo ao Seu servo: 'Vê que faças todas as

coisas de acordo com o modelo que te foi mostrado no monte' (Hb 8.5). O tabernáculo tinha três compartimentos: o pátio externo, o lugar Santo e o Santo dos Santos. Uma vez por ano o sumo sacerdote entrava neste local terreno de adoração, passando pelo pátio externo para o lugar Santo e finalmente, levando o sangue do sacrifício, ele entrava no Santo dos Santos para aspergir o sangue na presença santa de Jeová. Mas Arão era apenas um tipo daquele que é maior que Arão, o verdadeiro Sumo Sacerdote. Dele, do verdadeiro Sacerdote, o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, foi escrito que Ele penetrou os céus (Hb 4.14): 'Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus' (Hb 9.24). Ele passou pelos céus, o pátio exterior, o céu que circunda a Terra; o lugar Santo, o Universo imenso com sua distância imensurável e, finalmente, Ele entrou no terceiro céu, o céu que a astronomia sabe que existe, mas que nenhum telescópio pode alcançar. Nos lugares celestiais, de acordo com a Epístola aos Efésios, estão os principados e potestades, a multidão incontável de anjos. Sua habitação está nos céus. Deus que os criou, que

os fez espíritos e os revestiu de corpos apropriados para a sua natureza espiritual, também deve lhes ter designado habitação... Também é significativo que a frase ‘exército dos céus’ signifique tanto as estrelas como os exércitos angelicais; o ‘Senhor dos Exércitos também tem o mesmo significado duplo, pois Ele é o Senhor das estrelas e o Senhor dos anjos’”.
3.16. Sua aparência
Nas histórias que se têm colecionado, há anjos com asas e outros sem asas, anjos que se parecem com anjos e outros que se parecem com seres humanos. Parece que os anjos que aparecem como homens, e não como anjos, vão ter a aparência de quem estão visitando. Em outras palavras, se o anjo que apareceu à mãe de Sansão não se parecesse com um israelita, ela não teria chamado filho de Deus, como sendo ele um profeta israelita

(Jz 13.6). Se os anjos que aparecem sem que se saiba que são anjos (Hb 13.2), então aparecem aos chineses como chineses, aos africanos como africanos, e a americanos como americanos. Isso significa que há anjos aparecendo como negros e brancos.
3.17. Suas asas
A Bíblia não nos diz que anjos possuem asas. Esta idéia de asas vem de um verso em Daniel onde está registrado que um anjo veio voando rapidamente (Dn 9.21). Entretanto, como os anjos não se movem no tempo e no espaço como nós, não sabemos se precisam de asas para voar. Outras ordens de seres celestiais chamadas querubins, serafins são descritas como possuindo asas (Ez 1.5-11; 1Rs 6.27). Na arte medieval,

muitos anjos são desenhados com asas, mas vieram da idéia da deusa grega Nike.
Portanto, creio que muitos anjos não possuem asas. Eles são “espíritos puros”, não compostos de matéria, mas compostos de essência e existência, de ação e de potencialidade, escreveu Tomás de Aquino. Em religiões não cristãs, a idéia de como são os anjos varia, particularmente com as personalidades angelicais específicas, uma vez que são percebidos, ou imaginados por diferentes grupos. Não estamos sempre atentos à sua presença porque os anjos nem sempre fazem aparições visíveis.
3.18. Características do seu próprio de um ser
3.18.1. Rejubilam diante do Todo Poderoso

“Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos (os anjos) de Deus rejubilavam” (Jó 38.7). Alguns estudiosos da Bíblia insistem em que os anjos não cantam. Isso, porém, não é verdade! Os anjos possuem a suprema aptidão de oferecer louvores, e a sua música vem sendo desde tempos imemoriais o veículo primordial de louvor ao nosso Deus Todo Poderoso, Jó diz que quando Deus lançava os fundamentos da Terra, os anjos cantavam rejubilando de alegria. A música é a linguagem universal. É possível que João tenha visto um imponente coro celeste (Ap 5.11,12) de muitos milhões de anjos que expressavam seu louvor ao Cordeiro celeste através de magnífica música. Não é debalde que o Salmista exorta (SI 148-2): “...Louvai-o todos os seus anjos...” Isto é real! De acordo com Lc 2.13, multidões de anjos apareceram na noite do nascimento de Cristo, clamando de alegria em vista do início da nova criação, como tinham feito no princípio da primitiva criação (Hb 1.6).

3.19. Os Anjos são incomparáveis entre as criaturas de Deus
O respeito aos anjos era profundo no judaísmo, a ponto de ver um anjo ser considerado como experiência tão grande, quanto ver o próprio Deus (Gn 16.13; 31.13; Êx 3.4; Jz 6.14; 13.22). Algum desses casos era Deus manifestando-se de alguma forma visível. A teologia judaica posterior encarava os anjos como mediadores entre Deus e os homens (Ez 40.3; Zc 3), e a posição tão elevada naturalmente fez com que alguns os adorassem.
Os Anjos “são incomparáveis entre as criaturas, mas nem por isso deixam de ser criaturas”. Correspondem com adoração e louvor a Deus (Sl 148.2; Is 6.1-3; Lc 2.13-15; Ap 4.6-11) e a Cristo (Hb 1.6). Como conseqüência, os cristãos não devem exaltá-los (Ap 22.8-9); os que o fazem, perdem a sua recompensa futura (Cl 2.18).

Uma das razões pela qual se originou a carta aos Colossenses, escrita pela o apóstolo Paulo, foi o culto aos anjos. A cidade de Colossos estava localizada perto de Laodicéia (Cl 4.16), no sudeste da Ásia Menor, cerca de 160 quilômetros a leste de Éfeso. A igreja colossense, tudo indica, foi fundada como resultado do grandioso ministério de Paulo em Éfeso, durante três anos (At 20.31), cujos efeitos foram tão poderosos e de tão grande alcance que “todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus” (At 19.10). Paulo talvez nunca tenha visitado Colossos pessoalmente (Cl 2.1), mas mantivera contatos com a igreja através de Epafras, um dos seus convertidos e cooperadores naquela cidade (Cl 1.7; 4.12). O motivo desta epístola foi o surgimento de ensinos falsos na igreja colossense, ameaçando o seu futuro espiritual (Cl 2.8). Quando Epafras, dirigente da igreja colossense e seu provável fundador viajou com o objetivo de visitar Paulo e informar-lhe a respeito da situação em Colossos (Cl 1.8; 4.12), Paulo então escreveu esta epístola. Nessa ocasião Paulo estava preso (Cl 4.3,10,18), possivelmente em Roma (At 28.16-31), aguardando comparecer perante César (At 25.11,12). O cooperador de

Paulo, Tíquico, entregou pessoalmente a carta em Colossos, em nome do apóstolo (Cl 4.7).
Paulo escreveu esta epístola porque os falsos mestres estavam se infiltrando na igreja de Colossos, ensinando que a doutrina apostólica e a salvação em Cristo eram insuficientes para a plena redenção. Esse falso ensino misturava a “filosofia” e a “tradição” humanas com o evangelho (Cl 2.8) e requeria a adoração de anjos como intermediários entre Deus e o homem (Cl 2.18). Os falsos mestres exigiam a observância de certos ritos religiosos judaicos (Cl 2.16,21-23) e justificavam a sua heresia, afirmando que recebiam revelações através de visões (Cl 2.18). A filosofia subjacente nessas heresias reaparece hoje entre os que ensinam que Jesus Cristo e o evangelho original do Novo Testamento são inadequados para satisfazer nossas necessidades espirituais (2Pe 1.3). Paulo refuta essa heresia ao demonstrar que Cristo não somente é nosso Salvador pessoal, como também cabeça da igreja e Senhor do universo e da criação. Logo, é Jesus

Cristo e o seu poder em nossa vida, e não a filosofia ou sabedoria humanas, que nos redime e salva eternamente. Não necessitamos de intermediários para termos comunhão com Cristo; devemos nos acercar dEle diretamente. Ser crente significa crer em Cristo e no seu evangelho; confiar nEle amá-lo e viver na sua presença. Não devemos acrescentar coisa alguma ao evangelho, nem ter outro intermediário entre Deus e o homem, nem aceitar a filosofia humanista.
Nesta carta Paulo nos adverte a vigiar contra todas as filosofias, religiões e tradições que destacam a importância do homem à parte de Deus e de sua revelação escrita. Hoje, uma das maiores ameaças teológicas contra o cristianismo bíblico é o “humanismo secular”, que se tornou a filosofia de base e a religião aceita em quase toda educação secular e é o ponto de vista aprovado na maior parte dos meios de comunicação e diversão no mundo inteiro.

Que ensina a filosofia do humanismo? Ensina que o homem, o universo e tudo quanto existe é apenas matéria e energia moldadas ao acaso. Afirma que o homem não foi criado por um Deus pessoal, mas que resultou de um processo evolutivo. Rejeita a crença num Deus pessoal e infinito, e nega ser a Bíblia a revelação inspirada de Deus à raça humana. Afirma que não existe conhecimento à parte das descobertas feitas pelo homem, e que a razão humana determina a ética apropriada para a sociedade, fazendo do ser humano a autoridade máxima neste particular. Procura modificar ou melhorar o comportamento humano mediante educação, redistribuição econômica, psicologia moderna ou sabedoria humana. Crê que padrões morais não são absolutos, e sim relativos e determinados por aquilo que faz as pessoas sentirem-se felizes, que lhes dá prazer, ou que parece bom para a sociedade, de acordo com os alvos estabelecidos por seus líderes; deste modo, os valores e moralidade bíblicos são rejeitados. Considera que a auto-realização do homem, sua auto-satisfação e seu prazer são o sumo bem da vida. Sustenta que as pessoas devem aprender a lidar com a morte e com as dificuldades da vida, sem crer em Deus ou depender dEle.

A filosofia do humanismo começou com Satanás e é uma expressão da sua mentira de que o homem pode ser igual a Deus (Gn 3.5). As Escrituras identificam os humanistas como os que “mudaram a verdade de Deus em mentira e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador” (Rm 1.25).
Todos os dirigentes, pastores e pais cristãos devem envidar seus máximos esforços em proteger seus filhos da doutrinação humanista, desmascarando-lhes os erros e instilando nas mentes deles um desprezo santo pela sua influência destrutiva (Rm 1.20-32; 2Co 10.4,5; 2Tm 3.1-10; Jd 4-20; 1Co 1.20; 2Pe 2.19).
Os falsos mestres ensinavam que era preciso reverenciar e adorar os anjos, como mediadores, para ter comunhão com Deus.

Para Paulo, invocar os anjos seria substituir Jesus Cristo como cabeça todo-suficiente da igreja (Cl 2.19); daí, Paulo advertir contra isso. Hoje, a crença de que Jesus Cristo não é o único intermediário entre Deus e o homem é posta em prática na adoração e oração a santos mortos, como padroeiros e mediadores. Essa prática despoja Cristo de sua supremacia e centralidade no plano redentor de Deus. Adorar e orar a qualquer pessoa que não seja Deus Pai, Deus Filho ou Deus Espírito Santo são práticas antibíblicas, e por isso devem ser rejeitadas.
Não obstante, o zelo de Paulo refutando o culto aos anjos, entre outras heresias, após o século IV d.C., o culto aos anjos tornou-se generalizado, sendo honrado especialmente o arcanjo Miguel. Os anjos passas a figurar com destaque na arte e no culto dos cristãos medievais. Posteriormente, com o advento do protestantismo, os líderes protestantes desencorajaram a prática, contudo, os liberais relegaram os anjos ao domínio da fantasia

religiosa e poética. Desta forma hoje os anjos são adorados em larga escala.

4 - HIERARQUIA E CLASSIFICAÇÃO DOS ANJOS
Introdução
A Bíblia faz menção de anjos bons e anjos maus, embora ressalte que todos os anjos foram originalmente criados bons e santos (Gn 1.31); tendo livre-arbítrio. Numerosos anjos participaram da rebelião de Satanás contra Deus (Ez 28.12-17; Jd 6; Ap 12.9; Mt 4.10) e abandonaram o seu estado original de graça, como servos de Deus, e assim perderam o direito à sua posição celestial.
4.1. O Anjo do Senhor

Uma designação especial no Antigo Testamento é “O ANJO DO SENHOR”. Podemos ler 60 ocorrências no Antigo Testamento, onde sua aparição e autoridade o classifica de forma especial (Gn 16.11; 16.13; 18.2; 18.13-33; 22.11-18; 24.7; 31.11-13; 32.24-30; Êx.3.2-6; Jz.2.1; 6.11-14; 13.21,22).
4.1.1. Sua identidade
4.1.1.1. Existem aqueles que acreditam que era simplesmente um anjo em missão especial representando Jeová
a) Esta identificação fala de Jesus um anjo, que se assemelha à doutrina mulçumana, mórmon e outras.

b) Jesus tinha um anjo especial a quem chamava de “Meu anjo”, enviado para “testificar acerca destas coisas” descrito em Ap 22.16. Então Deus também poderia fazer uso de um anjo para missões especiais ou comissioná-lo para tal.
c) Em Mateus o anjo que aparece a Zacarias e Maria é chamado “O Anjo do Senhor’ (Kurios), depois identificado como Gabriel. “Kurios” é a palavra grega equivalente a Jeová, de acordo com o dicionário expositivo de Vine. Como “Anjo do Senhor” Gabriel tinha autoridade de agir e falar pelo Senhor, como já vimos.
d) O Teólogo Hicks observa que as Escrituras ocasionalmente atribuem as palavras de um anjo a Deus mesmo quando ele não é um anjo de Jeová. Isso não deveria causar problemas, porque se um anjo de Jeová é Deus ou o Seu anjo, ainda assim representa Deus intervindo diretamente na vida dos homens.

4.1.1.2. Há vários argumentos que afirmam ser uma teofania da segunda pessoa da Trindade (Cristofania). Dentre eles alistamos:
a) A linguagem, malak yaweh, é um título singular e peculiar mostrando que esse personagem era mais do que um anjo.
b) No Antigo Testamento, ele é consistentemente apresentado como Jeová: O anjo apareceu, mas Deus, ou o Senhor, falou.
c) As promessas ou orientações dadas por este ser são tais que somente Deus poderia ter assim dado.
d) Este anjo, identificado como Jeová, apesar de tudo é apresentado de forma distinta de Jeová e clama por Jeová. Portanto, este anjo parece ser uma Cristofania, ou pré-encarnação do Filho de Deus, Jesus Cristo.
e) Quando o Anjo do Senhor apareceu a Josué, diz a Palavra do Senhor que ele Josué) “...se prostrou sobre o seu rosto na terra, e O adorou, e disse-lhE: Que diz meu Senhor ao seu servo?”(Js 5.1). Se o Anjo do

Senhor não fosse o próprio Senhor (o Senhor Jesus), o anjo (caso fosse simplesmente “um anjo”) teria proibido a Josué de adorá-lo, como ocorreu em Ap 19.10 e Ap 22.8,9.
f) Em Jz 2.1, o Anjo do Senhor diz: Do Egito Eu vos fiz subir, e Eu vos trouxe à terra que a vossos pais Eu tinha jurado, e Eu disse: Eu nunca invalidarei o meu concerto convosco (o grifo nos pronomes é nosso). Comparada esta passagem com outras que descrevem o mesmo evento, verifica-se que eram atos do Senhor, o Deus do concerto israelita. Foi Ele quem jurou a Abraão, a Isaque e a Jacó que aos seus descendentes daria a terra de Canaã (Gn 13.14-17; 17.8). Jurou que esse concerto seria eterno. Ele tirou os israelitas do Egito (Êx 20.1,2) e Ele os levou à terra prometida (Js 1.1,2).
g) Embora concordemos com o fato de que existem controvérsias a respeito desta passagem de Jz 13.18, reputamos a mesma como factual e elucidativa. Quando Manoá, pergunta ao Anjo do Senhor, o Seu nome, Ele responde: “...porque perguntas assim pelo meu nome, visto que é

maravilhoso”? Uma comparação desta resposta com a passagem de Is 9.6 demonstra que o Anjo do Senhor que apareceu a Manoá é o Menino de quem nos Isaías se refere. Isto é, o Anjo do Senhor, cujo nome é Maravilhoso.
h) Outra prova escriturística que apresentamos, é que no contexto neotestamentário, a Bíblia deixa de utilizar-se do termo “o Anjo do Senhor” como pessoa específica. Isto é demonstrado pelo fato de que o artigo definido masculino singular “o” deixa de ser utilizado, sendo substituído pelo artigo indefinido “um”. Alguns exemplos disto são os textos de Lc 1.11; At 12.7 e At 12.23, dentre muitos outros. Infelizmente, nem todas as ocorrências no Novo Testamento, na versão ARC, aonde deveria ocorrer a expressão “um” anjo do Senhor, acontece. Em vez disso, se encontra o termo “o” anjo do Senhor. Fato que foi corrigido na versão ARA, nos textos citados e em outros correlatos.

Esta substituição na ARA possui um grande significado. Pois no contexto do Novo Testamento, contemporâneo ou posterior à encarnação, as manifestações angelicais não eram do Anjo do Senhor, mas meramente de um de Seus anjos, pois o Anjo do Senhor já havia sido manifestado na carne (1Tm 3.16).
4.1.2. Tarefas realizadas
a) Mensagens ao povo do Senhor (Gn 22.15-18);
b) suprir necessidades do povo do Senhor (1Rs 19.5-7);
c) proteger o povo de Deus do perigo (Êx 14.19);
d) ocasionalmente destruir os inimigos de Jeová (Êx 23.23);
e) punia os rebeldes (2Sm 24.16,17).

4.1.3. Seus aparecimentos
a) Seu primeiro aparecimento foi à escrava egípcia, Hagar a fim de lhe socorrer e foi identificado como sendo “O Anjo do Senhor” (Gn 16.7-12);
b) a pessoa de Abraão (Gn 22.11,15);
c) a Jacó (Gn 31.11-13);
d) a Moisés (Êx 3.2). Ainda mais explicitamente, o anjo do Senhor que apareceu a Moisés na sarça ardente disse, em linguagem bem clara: “Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó” (Êx 3.6);
e) a todos os israelitas durante o êxodo (Êx 14.19);
f) mais tarde em Boquim (Jz 2.1,4);
g) a Balaão (Nm 22.22-36);

h) a Josué (Js 5.13-15, onde o príncipe do exército do SENHOR é mais provavelmente o Anjo do SENHOR); Josué prostrou-se e o adorou (Js 5.14). Esta atitude tem levado muitos a crerem que esse anjo era uma manifestação do próprio Senhor Deus; do contrário, o anjo teria proibido Josué de adorá-lo (Ap 19.10; 22.8,9);
i) a Gideão (Jz 6.11);
j) a Davi (1Cr 21.16);
k) a Elias (2Rs 1.3-4);
l) a Daniel (Dn 6.22).
4.2. O Arcanjo Miguel
Miguel tem seu correspondente no grego “Michael e no hebraico mika'el. O nome Miguel é muito expressivo, “quem é como Deus?” Em que aspecto

ele é semelhante a Deus não foi revelado, mas temos três passagens nas quais ele foi diretamente mencionado e onde vemos que ele tem grande autoridade. De acordo com Dn 12.1, ele é o “defensor do povo de Daniel - Israel”. Em Judas 9 ele teve uma controvérsia com Satanás sobre o corpo de Moisés; mas nessa situação e apesar de toda a sua grandeza, ele não se atreveu a “proferir juízo infamatório contra ele”, mas confiando na sua dependência de Deus, ele declara: “...o Senhor te repreenda”. Miguel se encontra novamente na predição registrada em Ap 12.7-12. Ele, como chefe dos exércitos do céu, participa de uma batalha vitoriosa no céu contra Satanás e os seus anjos. Temos ainda a revelação de que a “voz do arcanjo” será ouvida quando Cristo voltar para buscar a Igreja (1Ts 4.16).
A tradição sobre a existência de arcanjos não fazia parte original da fé judaica. Assim, na literatura bíblica, Miguel é introduzido em Dn 10.13,21 e 12.1 e reaparece no Novo Testamento em Jd 9 e Ap 12.7. Embora algumas literaturas tenham Gabriel como outro Arcanjo (totalizando sete na

literatura apócrifa e pseudepígrafa, onde quatro nomes são revelados: Miguel, Gabriel, Rafael e Uriel), a Bíblia só revela a existência de um único Arcanjo, Miguel. Isto é demonstrado pelo fato de que nas duas ocorrências da palavra grega archangelos, “arcanjo”, 1Ts 4.16 e Jd 9, o termo só aparece no singular, ligado unicamente ao nome de Miguel, donde se conclui biblicamente que só exista um anjo assim denominado Arcanjo, ou anjo-chefe, e que esse Arcanjo chama-se Miguel.
O Miguel que se pode encontrar no Novo Testamento surge no Antigo Testamento apenas no livro de Daniel, à semelhança de Gabriel, é um ser celestial. Tem, no entanto, responsabilidade especiais como campeão de Israel contra o anjo rival dos persas (Dn 10.13,21), e ele comanda os exércitos celestiais contra todas as forças sobrenaturais do mal na última grande batalha (Dn 12.1). Na literatura judaica recente, bem como nos apócrifos e pseudepígrafos, o nome de Miguel é apresentado como guardião militar e intercessor de Israel.

No Novo Testamento, Miguel aparece apenas em duas ocasiões. Em Jd 9, há referência a uma disputa entre Miguel e o diabo com respeito ao corpo de Moisés. Essa passagem é bastante polêmica. Orígenes acreditava que isto estaria registrado num apócrifo chamado de “Assunção de Moisés”, mas a história não aparece nos textos existentes, porém incompletos, desta obra. A literatura rabínica posterior parece ter conhecimento desta história. O outro texto em que Miguel aparece, é Ap 12.7, que retoma o tema de Dn 12.1, apresentando-se Miguel como sendo o vencedor do dragão primordial, identificado como Satanás.
4.3. Gabriel

O vocábulo Gabriel tem sua correspondente no hebraico “geber El”, e significa “homem de Deus”. Aparece quatro vezes nas Escrituras como revelador do propósito divino. No Antigo Testamento ele falou a Daniel sobre o final dos tempos (Dn 8.15-27). Semelhantemente, deu a Daniel a predição quase incomparável de Dn 9.20-27. O profeta descobriu (Jr 25.11-12) que o período que Israel tinha de permanecer na Babilônia era de setenta anos e que esse tempo estava para se completar. Então se entregou à oração pelo seu povo. A oração, conforme registrada, Gabriel passou com incrível rapidez do trono de Deus para o profeta que orava na Terra. Foi então que este anjo revelou o propósito de Jeová quanto ao futuro de Israel. No Novo Testamento trouxe a Zacarias a mensagem do nascimento João (Lc 1.11-20) e foi ele que veio com a maior de todas as mensagens à Maria quanto ao nascimento de Cristo e o Seu ministério como Rei sobre o trono de Davi (Lc 1.26-33). Apresenta-se como aquele que “assiste diante de Deus” (Lc 1.19).

4.4. Querubins
Querubim tem sua correspondente no hebraico “qeruvim” (Gn 3.22-24; Ez 10.1-3). Vocábulo correlato com um verbo acadiano que significa “bendizer, louvar, adorar”. Os querubins estão sempre associados com a santidade de Deus e a adoração que a sua presença imediata inspira. O título querubim fala de sua posição elevada e santa e sua responsabilidade está intimamente relacionada com o trono de Deus como defensores de Seu caráter e presença santa. Proteger a santidade de Deus é uma atividade importante deles. Os querubins aparecem pela primeira vez junto ao portão do Éden, depois que o homem foi expulso e como protetores para que o homem não retorne poluindo a santa presença de Deus. Aparecem novamente como protetores, embora em imagens de ouro, sobre a arca da aliança, onde Deus se comprazia em habitar. A cortina do tabernáculo separava a presença divina do povo ímpio, tinha bordados de figuras de querubins (Êx 26.1). Ezequiel refere-se a estes seres chamando-os pelo

seu título dezenove vezes e a verdade relacionada com eles deriva destas passagens. Ele os apresenta com quatro rostos diferentes: de um leão, de um boi, de um homem e a face de uma águia (Ez 1.3-28; 10.1-22). Este simbolismo relaciona-se imediatamente com as criaturas viventes da visão de João (Ap 4.6-5.14).
4.5. Serafins (Is 6.1-3)
A palavra serafins do hebraico “saraph” significa “ardentes”, “queimadores”, “irradiantes da glória de Deus”, “brilhantes de Deus”, “incandescidos de Deus”. Declaram a glória incomparável de Deus e a sua santidade suprema. O título serafins fala de adoração incessante, do seu ministério de purificação e de sua humildade. Eles aparecem apenas uma vez nas Escrituras sob esta designação (Is 6.1-3). Sua atribuição tripla de adoração conforme registrada por Isaías foi repetida por João (Ap 4.8) e sob o título

de criaturas viventes. Alguns estudiosos acreditam que os “seres viventes” (ou animais, Ap 4.6-9) são sinônimos de serafins e querubins. Todavia, os querubins em Ezequiel parecem semelhantes, e os “seres viventes” em Apocalipse são diferentes entre si.
4.6. Anjos eleitos
A referência, em 1Tm 5.21, aos “anjos eleitos”, descortina imediatamente um campo interessante de pesquisa referente ao alcance que a doutrina da eleição soberana deve ter na relação dos anjos para com o seu Criador. É preciso aceitar que os anjos foram criados com um propósito e que no seu reino, assim como o homem, os desígnios do Criador serão executados até o final. A queda de alguns anjos foi tão antecipada por Deus quanto a queda do homem. Está também implícito que os anjos passaram por um período de experiência.

4.7. Governadores
Há indicações de que existam organizações entre os anjos bons. Em Cl 1.16, Paulo fala de tronos, soberanias (domínios), principados e potestades (poderes) e acrescenta que foram criados por intermédio dEle e para Ele. Isto parece incluir que ele está se referindo aos anjos bons. Em Efésios 1.21, a referência parece incluir tanto os anjos bons quanto maus. Nas outras passagens, essa terminologia se refere definitivamente apenas aos anjos maus (Rm 8.38; Ef 6.13; Cl 2.15).
a) Tronos (thronoi) se referem a seres angélicos, cujo lugar é na presença imediata de Deus. Esses anjos são investidos de poder real que exercem sob Deus;
b) Domínios (gr. kuriotetes) parecem estar próximos dos thronoi em dignidade;

c) Principados (gr. archai) parecem se referir a governantes sobre povos e nações distintos. Assim, Miguel é tido como príncipe de Israel (Dn 10.21; 12.1); assim lemos também a respeito do príncipe da Pérsia e do príncipe da Grécia (Dn 10.20). Isto é, cada um é um príncipe em um destes principados;
d) Poderes – potestades (gr. exousiai) são possivelmente autoridades subordinadas, servindo sob uma das outras ordens. É verdade que não podemos saber com certeza o significado real desses termos, mas esses acima parecem ser uma explicação plausível.
4.8. Anjos especialmente nomeados
Certos anjos só ficaram conhecidos pelo serviço que prestaram. Destes, temos aqueles que serviram como anjos de juízo (Gn 19.13; 2Sm 24.16; 2Rs 19.35; Ez 9.1,5,7; Sl 78.49). Vejamos:

a) Vigilantes (Dn 4.13,23). Os “vigias” (aram. irin, correlato com o heb. ur, “estar acordado”) são mencionados somente em Daniel 4.13,17,23. São os “santos” que promoviam zelosamente os decretos soberanos de Deus, e demonstravam o senhorio de Deus sobre Nabucodonosor.
b) Anjo do abismo (Ap 9.11). “Tinham sobre si rei o anjo do abismo, cujo nome em hebraico é Abadom e em grego Apoliom” (Ap 9.11). Abadom (ou Apoliom) é identificado, tal como sucede como muitíssimos outros elementos do Apocalipse, de muitas formas variadas. A seguir damos os principais pareceres sobre Abadom ou Apoliom: (a) É possível que o “anjo-estrela” do primeiro versículo (Ap 9.1) esteja aqui em pauta, portanto ele é quem tem o poder de abrir o abismo; (b) as interpretações “simbólicas” não vêem aqui qualquer “ser” em particular, mas apenas a manifestação do “princípio do mal” de várias formas; (c) tradicionalmente, Satanás é reputado o “rei do mundo inferior”, a personificação do mal e daquilo que ele produz neste caso, a “destruição”. Portanto, vários intérpretes supõem que Satanás está em foco neste passo bíblico; (d) há precedentes,

entretanto, para supor-se que o “rei do hades e Satanás são personalidades distintas”. Se o vidente João alude aqui a esse tipo de tradição, então o “rei” (o “destruidor”) neste caso será um elevado poder maligno, um arcanjo das trevas, por assim dizer, mas não o próprio Satanás. Não obstante, poderíamos supor que esse poder maligno está sujeito à autoridade do diabo. Dentre essas interpretações, a de número quatro (d) é a mais provável.
4.9. Aquele que tem autoridade sobre o fogo
“E saiu do Altar outro anjo, que tinha poder sobre o fogo...”. Esse Anjo é aquele que, cuja missão é conservar o fogo aceso no altar celeste (Ap 14.18).
4.10. O anjo das águas

“E ouvi o anjo das águas que dizia: Justo és tu, ó Senhor, que és, e que eras, e santo és, porque julgaste estas coisas” (Ap 16.5). Essa idéia é extraída da noção judaica helenista de que cada elemento da natureza é controlado pelos anjos. Assim, teríamos os anjos dos quatro ventos, do calor, da geada, das águas, do fogo, e assim, interminavelmente. O anjo que aparece neste versículo tem por tarefa guardar os suprimentos de água do globo terrestre.
4.11. Anjos que controlam os ventos
“E, depois destas coisas, vi quatro anjos que estavam sobre os quatro cantos da terra, retendo os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem contra árvore alguma” (Ap 7.1). Os anjos que se acham nos quatro cantos da terra conservam presos os quatro ventos. Não lhes é permitido soprar e nem destruir. Em Dn 7.2,3,

vemos os quatro ventos do céu irrompendo sobre o mar, provocando destruições imensas. Deus está no comando até do vento. “E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te. E o vento se aquietou, e houve grande bonança” (Mc 4.39).
4.12. Anjos guardiões
4.12.1. Das nações
“E olhei e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões e milhares de milhares” (Ap 5.11). A exemplo de Apocalipse Mateus 26.53, Hebreus 12.22, e Salmos 68.17 indicam que os anjos a serviço de Deus são muito numerosos. Outras passagens indicam que eles observam os homens, prestando serviços em prol de nações, comunidades e indivíduos (Hb 1.14;

Mt 18.10; Sl 9.1; Dn 10.13; 12.1; Js 5.14). Os trechos bíblicos que dão apoio à doutrina dos anjos guardiões são Jó 33.23; Dn 10.13; Mt 18.10; Hb 1.14 e Ap 1.20.
4.12.2. Crença judaica
Uma antiga doutrina judaica ensina que o anjo guardião tem a semelhança ou aparência daquele a quem guarda, a que talvez seja refletido em Atos 12.15. Essa idéia pode estar ligada à noção oriental do eu-superior ou super-eu do indivíduo. Presumivelmente, a alma não é o elemento superior do indivíduo, mas sim é um instrumento do eu-superior, que é a verdadeira entidade. Esse super-eu é o homem em sua forma mais elevada, um poderosíssimo ser espiritual. Nesse caso, o anjo guardião seria o próprio homem, e a alma seria seu instrumento, tal como o corpo é o instrumento da alma. Há muitos mistérios, e talvez o que aqui dizemos

perscrute um tanto esses mistérios, sem desvendá-los. Se esse conceito é veraz, então o indivíduo é seu próprio anjo guardião, ou pelo menos, poderia ser, embora esse anjo exista em uma outra dimensão de seu próprio ser. Isso não negaria a existência de outros espíritos elevados, que poderiam interessar-se em nossas vidas e aos quais poderíamos chamar de “anjos”.

5 - SUAS ATRIBUIÇÕES MINISTERIAIS
5.1. No ministério de Jesus
5.1.1. Na eternidade passada (Sl 90.2), adoravam a Cristo
“E, quando outra vez introduz no mundo o Primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem” (Hb 1.6). A expressão eternidade passada refere-se à existência eterna de Deus, que não tem começo nem fim. Eternidade (hb. olam) não significa em primeiro lugar que Deus transcende o tempo, mas, sim, que é infindável no tempo (Gn 21.33; Jó 10.5; 36.26). As Escrituras não ensinam que Deus existe num tipo de eterno tempo presente, onde não há nem o passado nem o futuro. Os trechos das Escrituras que declaram a eternidade de Deus fazem-no em termos de

continuidade, e não de intemporalidade, isto é, Deus conhece o passado como passado, o presente como presente e o futuro como futuro.
5.1.2. Anunciaram o seu nascimento
“Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, rachou-se ter concebido do Espírito Santo. Então, José, seu marido, como era justo se a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente. E, projetando ele isso, eis que, em sonho, lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo. E ela dará à luz um filho, e lhe porás o nome de JESUS, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1.18,19, 20,21); Ler ainda Lc 1.26,28; 2.8,20. Um anjo do Senhor anuncia o nascimento de Jesus, fato registrado tanto por Mateus quanto por Lucas, ambos

concordam em seus registros em declarar inequivocamente que Jesus nasceu de uma mãe virgem, sem a intervenção de pai humano, e que Ele foi concebido pelo Espírito Santo (Lc 1.34,35). A doutrina do nascimento virginal de Jesus, de há muito vem sendo atacada pelos teólogos liberais. É inegável, no entanto, que o profeta Isaías vaticinou a vinda de um menino, nascido de uma virgem, que seria chamado Emanuel , um termo hebraico que significa Deus conosco (Is 7.14). Essa predição foi feita 700 anos antes do nascimento de Cristo. A palavra virgem é a tradução correta da palavra grega parthenos, empregada na Setuaginta, em Is 7.14. A palavra hebraica significando virgem (almah) , empregada por Isaías, designa uma virgem em idade de casamento, e nunca é usada no Antigo Testamento para qualquer outra condição da mulher, exceto a da virgindade (Gn 24.43; Is 7.14). Daí, Isaías, Mateus e Lucas afirmarem a virgindade da mãe de Jesus (Is 7.14). É de toda importância o nascimento virginal de Jesus. Para que o nosso Redentor pudesse expiar os nossos pecados e assim nos salvar, Ele teria que ser numa só pessoa, tanto Deus como homem impecável (Hb 7.25,26). O nascimento virginal de Jesus

satisfaz essas duas exigências. (a) A única maneira de Ele nascer como homem era nascer de uma mulher. (b) A única maneira de Ele ser um homem impecável era ser concebido pelo Espírito Santo (Hb 4.15). (c) A única maneira de Ele ser deidade, era ter Deus como seu Pai. A concepção de Jesus, portanto, não foi por meios naturais, mas sobrenaturais, daí, o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus (Lc 1.35). Por isso, Jesus Cristo nos é revelado como uma só Pessoa divina, com duas naturezas: divina e humana, mas impecável. Por ter vivido como ser humano, Jesus se compadece das fraquezas do ser humano (Hb 4.15,16). Como o divino Filho de Deus, Ele tem poder para libertar o ser humano da escravidão do pecado e do poder de Satanás (At 26.18; Cl 2.15; Hb 2.14; 4.14,15; 7.25). Como ser divino e também homem impecável, Ele preenche os requisitos como sacrifício pelos pecados de cada um, e também como sumo sacerdote, para interceder por todos os que por Ele aproximam-se de Deus (Hb 2.9-18; 5.1-9; 7.24-28; 10.4-12). Eis a suprema importância da intervenção angelical junto a José quando este intentava deixar secretamente Maria (Mt 1.18,19).
C
5.1.3. Protegeram-No na Sua infância
“E, tendo-se eles retirado, eis que o anjo do Senhor apareceu a José em sonhos, dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito, e demora-te lá até que eu te diga, porque Herodes há de procurar o menino para o matar. E, levantando-se ele, tomou o menino e sua mãe, de noite, e foi para o Egito. E esteve lá até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta, que diz: Do Egito chamei o meu Filho. ...Morto, porém, Herodes, eis que o anjo do Senhor apareceu, num sonho, a José, no Egito, dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e vai para a terra de Israel, porque já estão mortos os que procuravam a morte do menino. Então, ele se levantou, e tomou o menino e sua mãe, e foi para a terra de Israel”. Esses dois avisos da parte de Deus a José, por meio dos seus anjos, nos ensinam que Deus vela por aqueles que Ele ama e Ele é quem melhor sabe frustrar os planos dos ímpios e livrar seus fiéis das mãos dos que lhes querem fazer mal.

5.1.4. Acolheram depois da tentação no deserto
“E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome; E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães. Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4.2,3). “Então, o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos e o serviram” (Mt 4.11). Jesus jejuou 40 dias, e depois teve fome, e a seguir foi tentado por Satanás a comer. Isto pode indicar que Cristo absteve-se de alimento, mas não de água. Abster-se de água por 40 dias requer um milagre. Uma vez que Cristo teve que enfrentar a tentação, como representante do homem ele não poderia empregar nenhum outro meio para vencê-la além do de um homem cheio do Espírito Santo (Êx 34.28; 1Rs 19.8; Mt 6.16). Por conseguinte, esperaria na providência do Pai, não precisaria transformar pedras em pães para alimentar-se. A sua justa obediência é recompensada pelo Pai ao ser servido pelos anjos (Mt

4.11). Um dos aspectos principais da tentação de Jesus girou em torno do tipo de Messias que Ele seria e como empregaria a sua unção da parte de Deus. Jesus foi tentado a utilizar sua unção e posição para servir a seus próprios interesses, obter glória e poder sobre as nações, ao invés de aceitar a cruz e o caminho do sofrimento, e ajustar-se à expectativa popular de um Messias sensacional.
5.1.5. Consolaram-no em sua luta espiritual no Getsêmani
Em oração no Getsêmani Jesus diz: “...Meu pai, se possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mt 26.39b). “E apareceu-lhe um anjo do céu, que o confortava” (Lc 22.43). Sua oração, no que diz respeito ao afastamento do cálice não foi atendida, contudo, foi ouvida, pois o Pai o fortaleceu mediante um anjo do céu, que o confortava.

5.1.6. Acompanharam toda sua vida ministerial
Jesus falou de anjos que subiam e desciam sobre Ele (Jo 1.51); disse poder contar com mais de 12 legiões de anjos em prol de sua defesa (Mt 26.53). “E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Aquele que se manifestou em carne foi justificado em espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo e recebido acima, na glória” (1Tm 3.16).
5.1.7. Observaram-no na Sua ressurreição
A ressurreição de Jesus Cristo (Mt 28.2-5; Lc 24.23; Jo 20.12; Mt 28.6) é uma das verdades essenciais do evangelho (1Co 15.1-8). Qual a importância da ressurreição de Cristo para os que nEle crêem? Ela comprova que Ele é o Filho de Deus (Jo 10.17,18; Rm 1.4). Garante a eficácia da sua morte redentora (Rm 6.4; 1Co 15.17). Confirma a verdade

das Escrituras (Sl 16.10; Lc 24.44-47; At 2.31). É prova do juízo futuro dos ímpios (At 17.30,31). É o fundamento pelo qual Cristo concede o Espírito Santo e a vida espiritual ao seu povo (Jo 20.22; Rm 5.10; 1Co 15.45), e a base do seu ministério celestial de intercessão pelo crente (Hb 7.23-28). Garante ao crente a sua futura herança celestial (1Pe 1.3,4) e sua ressurreição ou transformação quando o Senhor vier (Jo 14.3; 1Ts 4.14ss). Ela põe à disposição do crente, na sua vida diária, a presença de Cristo e o seu poder sobre o pecado (Gl 2.20; Ef 1.18-20; Rm 5.10).
A ressurreição de Cristo está bem comprovada historicamente. Depois de ressurgir, Cristo permaneceu na terra por quarenta dias, aparecendo e falando com os apóstolos e muitos outros seus seguidores. Suas aparições depois da ressurreição são as seguintes: a Maria Madalena (Jo 20.11-18); às mulheres que voltavam do sepulcro (Mt 28.9,10); a Pedro (Lc 24.34); aos dois que iam a caminho de Emaús (Lc 24.13-32); a todos os discípulos, exceto Tomé e outros com eles (Lc 24.36-43); a todos os

discípulos num domingo à noite, uma semana depois (Jo 20.26-31); a sete discípulos junto ao mar da Galiléia (Jo 21.1-25); a 500 crentes na Galiléia 1Co 15.6); a Tiago (1Co 15.7); aos discípulos que receberam a Grande Comissão (Mt 28.16-20); aos apóstolos, no momento da sua ascensão (At 1.3-11); e ao apóstolo Paulo (1Co 15.8).
E nesta ocasião tão solene, de elevada significância, anjos do Senhor se fazem presentes, testemunhando, confortando e dando orientações às visitantes do túmulo vazio: “E eis que houvera um grande terremoto, porque um anjo do Senhor, descendo do céu, chegou, removendo a pedra, e sentou-se sobre ela. E o seu aspecto era como um relâmpago, e a sua veste branca como a neve. E os guardas, com medo dele, ficaram muito assombrados e como mortos. Mas o anjo, respondendo, disse às mulheres: Não tenhais medo; pois eu sei que buscai a Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como tinha dito. Vinde e vede o lugar onde o Senhor jazia. Ide, pois, imediatamente, e dizei aos

seus discípulos que já ressuscitou dos mortos. E eis que ele vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis. Eis que eu vo-lo tenho dito” (Mt 28.2-7).
5.1.8. Na sua ascensão acompanharam
“E levou-os fora, até Betânia; e, levantando as mãos, os abençoou. E aconteceu que, abençoando-os ele, se apartou deles e foi elevado ao céu. E, adorando-o eles, tornaram com grande júbilo para Jerusalém” (Lc 24.50-52). “E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois varões vestidos de branco, os quais lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir” (At 1.9,10,11).

5.1.9. Eles o acompanharão na Sua segunda vinda
“E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar Senhor Jesus desde o céu, com os anjos do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo” (2Ts 1.7). Observamos que embora Deus vá retribuir aos ímpios (2Ts 1.6) no começo da grande tribulação (Ap 6), a retribuição completa (2Ts.6-9) ocorrerá somente no fim da presente era, quando o “Senhor Jesus se manifestar desde o céu, com os anjos do seu poder”, para julgar os ímpios (2Ts 7-10; Ap 19.11-21). Ler ainda: Mt 24.31; 25.31; Mc 8.38; 13.27; Lc 9.26.
5.2. São ministradores a favor dos santos

Entre as múltiplas funções exercidas pelos anjos, destaca-se de maneira especial e particular aquela que diz respeito à orientação e ministração do bem ao Povo de Deus.
Nem sempre podemos ter consciência da presença dos anjos, ainda que eles estejam ao nosso redor. Nem sempre podemos predizer como eles aparecerão. Diz-se, todavia, que os anjos são nossos vizinhos bem chegados. Com freqüência podem ser nossos companheiros nas circunstâncias mais diversas, sem, contudo nos apercebermos de sua presença. Pouco é o que sabemos acerca da sua constante assistência. A Bíblia nos garante, entretanto, que um dia as “escamas” serão retiradas dos nossos olhos, para que possamos ver e reconhecer em toda a plenitude as coisas que desconhecemos, inclusive a atenção que os anjos nos dedicam.

Muitas experiências do Povo de Deus, tanto nos dias do Antigo Testamento como do Novo, bem como nos dias pós-apostólicos indicam que os anjos nos têm auxiliado. Há pessoas que poderão não ter sabido que estavam sendo ajudadas, porém a visita era real.
Existem nos nossos dias muitos clássicos da literatura evangélica que tratam da forma como muitos crentes nos tempos modernos, nas circunstâncias mais diversas, foram confortados por anjos de Deus. Portanto, podemos contar com o auxílio dos anjos, hoje.
5.3. Aplicadores dos juízos de Deus
Deus, por seu ilimitado poder, detém consigo elementos não só de edificação, mas também de destruição. Nos domínios da natureza, em particular, Ele tem usado o vento, a água, e o fogo, como elementos de manifestação da sua ira. Porém, no campo espiritual, Ele usa seus anjos,

principalmente quando a ação visa à defesa do Seu Povo e o abatimento dos “poderosos” da Terra.
Os anjos são responsabilizados pela morte dos primogênitos do Egito, pela destruição de Sodoma e Gomorra, pela destruição do exército assírio nos dias de Ezequias, pela ameaça de iminente destruição da cidade de Jerusalém nos dias de Davi, pela punição de Herodes Agripa, por contender com o Diabo por causa do corpo de Moisés.
Na Bíblia, parece que nenhum outro texto fala de forma tão conclusiva da ação heróica dos santos anjos na execução das guerras e dos juízos de Deus, como o SI 104.4, que diz: “... fazes a teus anjos ventos e a teus ministros, labaredas de fogo...”.
5.4. Comunicadores das Boas-Novas

As Escrituras estão cheias de grandes eventos no cumprimento dos quais os anjos de Deus desempenharam papel decisivo, como comunicadores de boas-novas e da misericórdia divina. Particularmente no Antigo Testamento, eles anunciaram o nascimento de lsaque e de Sansão. Já no Novo Testamento, eles anunciaram o nascimento de João Batista; o nascimento, ressurreição e volta de Jesus Cristo.
Como vemos, Deus usou os seus anjos para anunciar o nascimento do maior personagem do Novo Testamento, bem como do seu precursor, a ressurreição e a volta triunfal de Cristo. Certamente que Deus pode usar ainda hoje os seus anjos como comunicadores da sua vontade, e nada poderá impedi-lo de fazer, desde que isto contribua para a Sua Glória. Porém, ao crente de hoje é conferida a maior responsabilidade do que aos anjos, referente à comunicação das Boas-Novas do Reino de Deus.

5.5. Como espectadores da obra de Deus
Em quatro exemplos lemos que os anjos foram espectadores. Em Lc 15.10 eles observaram a alegria do Senhor por um pecador que se arrepende. Não é a alegria dos anjos, como se supõe freqüentemente (Jd 24). Em Lc 12.8-9, Cristo disse: “...digo vos ainda: Todo aquele que me confessar diante dos homens, também o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus, mas o que me negar diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus...”. Assim, também, toda a vida terrena de Cristo foi “contemplada por anjos” (1Tm 3.16). Em Ap 14.10-11, os anjos observam o infortúnio eterno daqueles que “adoram a besta e a sua imagem”. Por outro lado, a Igreja, segundo predição, julgará os anjos (1Co 6.3), apesar de que, atualmente, esteja tão pouco preparada até mesmo para julgar as coisas da Terra.

5.6. Executores de juízos divinos
Foram portadores de mensagens de Deus (Zc 1.14-17); trouxeram respostas às orações (Dn 9.21-23; At 10.4); serviram em prol do povo de Deus (Dn 3.25; 6.22); protegeram os santos que tementes a Deus que se afastaram do mal (Sl 34.7; 91.11; Dn 6.22; At 12.7-10); castigaram os inimigos de Deus (2Rs 19.35).
5.7. Desempenharam uma elevada missão ao revelarem a lei de Deus a Moisés (At 7.38; Gl 3.19; Hb 2.2).
“...Vós que recebestes a lei por ordenação dos anjos e não a guardastes” (At 7.53). Veja o contexto de GI 3.19: “...a lei..., foi posta pelos anjos na mão de um medianeiro”. Moisés falava, e Deus respondia em alta voz. Agora com a presença de Deus na montanha, tudo mudou de aspecto. A

montanha inteira pareceu pulsar de vida. O terror se apoderou do povo embaixo. A terra pareceu abalada por meio obscuro. Quando Deus veio ao topo da montanha, estava acompanhado de milhares de anjos (SI 68.8-17). Moisés, testemunha silenciosa e solitária deveria ter sido dominado por uma grande visão, ainda que não fosse a totalidade das forças de Deus. Abala a imaginação pensar que espécie de manchete teria ocorrido ali. “E tão terrível era a visão que Moisés disse: Estou todo assombrado, e tremendo” (Hb 12.21a). Observa-se que a aparição de Deus cercada de seres angélicos foi imensamente gloriosa. Ele resplandeceu como o sol quando ganha força no firmamento. Mesmo Seir e Parã, duas montanhas a alguma distância, foram iluminadas pela Glória Divina que apareceu no monte Sinai, refletindo alguns de seus raios; tão brilhante foi a aparição de Deus e Seus ministros e tanto empenho de relatar as maravilhas da providência divina, que até “...raios brilhantes saíam da sua mão...” (SI 18.7,8; Hb 3.3). Além desta aparição de anjos ao lado do seu Criador, o ministério angelical é proeminentemente desenvolvido no Antigo Testamento. H. Halley observa que os anjos estão presentes em quase

todos os acontecimentos tanto do Antigo como do Novo Testamento. Eles afloram por toda a Bíblia!
5.8. Executam sem questionar qualquer comando de Deus
Sob as ordens de Deus um anjo feriu a 70 mil escolhidos de Israel no tempo de Davi. “Então, enviou o SENHOR a peste a Israel, desde pela manhã até ao tempo determinado; e, desde Dã até Berseba, morreram setenta mil homens do povo. Estendendo, pois, mo Anjo a sua mão sobre Jerusalém, para a destruir, o SENHOR se arrependeu daquele mal; e disse ao Anjo que fazia a destruição entre o povo: Basta, agora retira a tua mão. E o Anjo do SENHOR estava junto à eira de Araúna, o jebuseu. E, vendo Davi ao Anjo que feria o povo, falou ao SENHOR e disse: Eis que eu sou o que pequei e eu o que iniquamente procedi; porém estas ovelhas que

fizeram? Seja, pois, a tua mão contra mim e contra a casa de meu pai” (2Sm 24.15-17).
5.9. Prestam socorro sob o comando divino
Obedecendo a Deus um anjo acudiu Elias quando fugia da fúria de Jezabel. “E deitou-se e dormiu debaixo de um zimbro; e eis que, então, um anjo o tocou e lhe disse: Levanta-te e come. E olhou, e eis que à sua cabeceira estava um pão cozido sobre as brasas e uma botija de água; e comeu, e bebeu, e tornou a deitar-se. E o anjo do SENHOR tornou segunda vez, e o tocou, e disse: Levanta-te e come, porque mui comprido te será o caminho. Levantou-se, pois, e comeu, e bebeu, e, com a força daquela comida, caminhou quarenta dias de quarenta noites até Horebe, o monte de Deus” (1Rs 19.5-8); Deus cuidou do desalentado Elias de modo compassivo e amorável (Hb 4.14,15). Permitiu que Elias dormisse;

fortaleceu-o com alimentos; propiciou-lhe uma revelação inspiradora do seu poder e presença; concedeu-lhe nova revelação e orientação; deu-lhe um companheiro fiel e fraterno. Noutras palavras, quando o filho de Deus enfrenta o desânimo, no desempenho que Deus lhe confiou, ele pode suplicar a Deus, em nome de Cristo, que lhe dê força, graça e coragem, e os capacite diante de tais situações (Hb 2.18; 3.6; 7.25).
5.10. Estão sempre prontos para agir
Por divina revelação Eliseu, certa manhã, viu-se cercado de anjos invisíveis aos olhos de seu criado e visíveis aos seus. “Então, enviou para lá cavalos, e carros, e um grande exército, os quais vieram de noite e cercaram a cidade. E o moço do homem de Deus se levantou mui cedo e saiu, e eis que um exército tinha cercado a cidade com cavalos e carros; então, o seu moço lhe disse: Ai! Meu senhor! Que faremos? E ele disse:

Não temas; porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles. E orou Eliseu e disse: SENHOR, peço-te que lhe abras os olhos, para que veja. E o SENHOR abriu os olhos do moço, e viu; e eis que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu” (2Rs 6.14-17). Existe um mundo espiritual invisível, que consiste nas hostes de anjos ministradores, que estão ativos na vida do povo de Deus (Gn 32.1,2; Sl 91.11; 34.7; Is 63.9). Desse ocorrido podemos assimilar vários princípios: Não somente Deus está a favor do seu povo (Rm 8.31), como também exércitos dos seus anjos estão disponíveis, prontos para defender o crente e o reino de Deus (Sl 34.7). Por conseguinte todos os que crêem na Bíblia devem orar continuamente para Deus livrá-los da cegueira espiritual e abrir os olhos dos seus corações para verem mais claramente a realidade espiritual do reino de Deus (Lc 24.31; Ef 1.18-21) e suas hostes celestiais (Hb 1.14). Os espíritos ministradores de Deus não estão distantes, mas, sim, bem perto (Gn 32.1,2), observando os atos e a fé dos filhos de Deus e agindo em favor deles (At 7.55-60; 1Co 4.9; Ef 3.10; 1Tm 5.21). Sabemos que a verdadeira batalha no reino de Deus não é

contra a carne e o sangue. É uma batalha espiritual “contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Ef 6.12; Ap 12.7-9; Ef 6.11). Concluímos que há um relacionamento de causa e efeito nas batalhas espirituais; o resultado das batalhas espirituais é determinado parcialmente pela fé e oração dos santos (Ef 6.18,19; Mt 9.38).
5.11. Atuam em situações adversas
Durante o cativeiro babilônico, um anjo livrou o profeta Daniel da cova dos leões. “O meu Deus enviou o seu anjo e fechou a boca dos leões, para que não me fizessem dano, porque foi achada em mim inocência diante dele; e também contra ti, ó rei, não tenho cometido delito algum” (Dn 6.22). A cova dos leões era subterrânea, tendo uma abertura na parte superior. Uma pedra grande cobria a abertura, e o selo do rei significava que a cova não

podia ser aberta sem a sua autorização. Daniel, por ser íntegro e ter um “espírito excelente”, era admirado pelo rei, que também honrava o seu Deus. Por isso, quando o rei cumpriu à risca o seu decreto, manifestou a esperança de que Deus livraria Daniel. Possivelmente ele ouvira falar do livramento que Deus concedera aos três amigos de Daniel, no caso da fornalha de fogo ardente (Dn 3.6,23-29). O rei procurou encorajar Daniel a crer no seu Deus, mas sua atitude na manhã seguinte não demonstrava confiança de que Daniel estivesse vivo. Mas o anjo de Deus fechou a boca dos leões diante do profeta fiel, e este estava são e salvo. Este livramento levou Dario a dar testemunho do poder do Deus que é maior do que o poder dos leões. Note-se também que o significado do nome de Daniel, “Deus é meu juiz”, cumpriu-se na própria experiência do profeta. Ele foi vindicado pelo Senhor, e considerado justo por sua decisão de não se contaminar, para manter a pureza da lei de Deus e por sua fidelidade na oração.

5.12. Auxiliam os filhos de Deus na produção de textos
Um anjo ajudou a Zacarias na redação de seu livro (Zc 1.9; 2.3 e 4.5). Durante todo o período da Antiga Aliança os anjos estiveram presentes na vida de muitos personagens da Bíblia. Podemos fazer outras citações, tais como; 1Rs 13.18; Jó 4.15,16; SI 34.7; Zc 3.3 etc. Ora, estas aparições ou intervenções angélicas na vida destas pessoas, são apenas manifestações tópicas, pois em outras ocasiões os anjos estiveram presentes, porém invisíveis aos olhos humanos.
5.13. Estão presentes não dificuldades dos que prestam serviço a Deus
A Igreja Primitiva teve seu princípio de formação auxiliada e protegida por estes seres celestiais. Vejamos: dois anjos foram testemunhas da ascensão de Cristo (At 1.10,11); um anjo abriu as portas da prisão e soltou

os apóstolos Pedro e João (At 5.19); um anjo encaminhou Filipe, o Evangelista, ao eunuco etíope (At 8.28); um anjo soltou Pedro da prisão (At 12.7-9); um anjo orientou o Centurião Cornélio, a chamar a Pedro (At 10.3); um anjo feriu Herodes e ele morreu comido de bichos (At 12.23); um anjo esteve com Paulo indo à Roma (At 27.23).
5.14. No final da presente era atuarão grandemente
Os anjos no livro do Apocalipse são proeminentes. Por exemplo, um anjo dirigiu a redação do livro para João (Ap 11.1; 22.6,16). Cerca de 71 vezes, os anjos são nele mencionados com missão especial. Não é imaginação, mas realidade, que os anjos são nossos conservos de mil maneiras. Nenhuma verdade está mais estabelecida pelas Escrituras do que a declaração de Hb 1.14, que diz “serem estes seres enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação”. Deus mandará um anjo

para completar a pregação do “Evangelho do Reino”. Na passagem de Apocalipse 14.6, está pintado literalmente a missão deste mensageiro. “... e vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o Evangelho Eterno, para proclamar aos que habitam sobre a Terra, e a toda a nação, tribo, e língua, e povo”. Duas pregações deste Evangelho são mencionadas nas Escrituras, uma passada, começando com o ministério de João Batista e terminando com a rejeição do seu Rei pelos judeus. A outra ainda é futura (Mt 24.14), durante a Grande Tribulação, e imediatamente antes da vinda em Glória de Cristo. Isso será feito pelo anjo do presente texto. Este Evangelho será pregado logo no fim da Grande Tribulação e imediatamente como já dissemos acima, antes do julgamento das nações viventes (Mt 25.31-46). Estas “Boas-Novas” são universais e abrangem “toda a criatura”.
5.15. Na cura divina

Uma outra cooperação angelical no que diz respeito à pessoa humana, prende-se ao fato de cura divina. Embora um pouco escasso, a passagem de João 5.4 ilustra o significado do pensamento. Ali vemos um anjo de Deus trazendo cura para os enfermos, “descia em certo tempo, ao tanque, e agitava a água; e o primeiro que ali descia, depois do movimento da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse”. Em muitas outras passagens tanto do Antigo como do Novo Testamento, observamos os anjos cooperando com Deus e os homens no plano da redenção (Êx 23.20,23; Jó 33.23; Dn 9.24-27; Hb 1.14; 1Pe 1.12).
5.16. No conforto e consolação
Esta cooperação angelical prende-se ao ministério da “consolação” e do “conforto”. Sua presença pode tranqüilizar e confortar em tempos de crise argumenta Billy Graham (Anjos, os agentes secretos de Deus), Daniel

também afirma isto no capítulo 10.19 do seu livro. Veja! “... e, falando ele (o anjo) comigo, esforcei-me, e disse: Fala, meu senhor, porque me confortaste...”. Nosso amado Salvador, apesar de ser Senhor dos anjos, foi também certa vez confortado por um deles. “...e apareceu-lhe um anjo (Gabriel?) do Céu, que o confortava...” (Lc 22.43; Hb 5.7). O profeta Zacarias teve também similar experiência quando Deus pôs na boca do anjo intérprete “palavras consoladoras”, as quais foram transmitidas para o profeta (Zc 1.13b). Outras passagens similares, tanto do Antigo como do Novo Testamento, poderiam ser aqui anotadas, mas somente catalogamos estas para expressar o significado do pensamento.

6 - SATANOLOGIA
Introdução
Em tempos remotos, houve rebelião entre os seres espirituais, nos lugares elevados (Jó 4.18; Mt 25.41; 2Pe 2.4). O mais elevado dos anjos “querubim ungido”, encabeçou essa rebelião. Por certo há muitas ordens de seres angelicais, algumas dotadas de grande poder, e outras de poder inferior aos homens, algumas elementares, talvez similares aos animais irracionais, e outras com inteligência ainda inferior aos irracionais.
6.1. O Fato de sua Queda

Tudo nos leva a crer que os anjos foram criados em estado de perfeição. Quando nos referimos ao relato da criação em Gn 1, lemos sete vezes que o que Deus havia feito era bom. No último versículo desse capítulo, lemos “viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom”. Isso certamente inclui a perfeição dos anjos em santidade quando originalmente criados. Não poucos teólogos acham que Ez 28.15 se refere a Satanás. Assim sendo, então ele é definitivamente mostrado como tendo sido criado perfeito. Todavia, diversas passagens mostram alguns dos anjos como maus (Sl 78.49; Mt 25.41; Ap 9.11; 12.7-9), isto se deve ao fato de terem deixado seu próprio principado e habitação apropriada (Jd 6) e pecado (2Pe 2.4). Não há dúvida que Lúcifer tenha sido o chefe da apostasia. Is 14.12 se refere a ele como sendo a Estrela da Manhã e Filho da Alva, e lamenta a sua queda. Ez 28.15-17 semelhantemente descreve sua queda. Não pode haver dúvidas, portanto, de que houve realmente uma queda para alguns dos anjos.

6.2. A Época da sua Queda
A Escritura silencia quanto a este ponto; mas deixa claro que a queda dos anjos se deu antes da do homem, já que Satanás entrou no Jardim sob a forma de serpente e induziu Eva a pecar.
6.3. A Causa de sua Queda
Este é dos profundos mistérios da teologia. Mostramos acima que os anjos foram criados perfeitos. Isto significa que toda a afeição de seus corações era dirigida por Deus. A questão é: como pôde tal ser cair? Como pôde a primeira afeição menos santa brotar em tal coração, e como pôde a vontade receber o primeiro impulso para se afastar de Deus? Diversas soluções para o problema têm sido propostas. Vamos ver algumas delas:

A primeira é a de que tudo que existe se deve a Deus. Os que crêem nesta doutrina afirmam que, portanto, Ele deve ser o autor do pecado também. Replicamos que se Deus for o autor do pecado e aí condenar a criatura por cometer pecado, então não temos um universo moral.
A segunda é a crença de que o mal resulta da natureza do mundo. É assim que crêem todos os sistemas pessimistas, do budismo até os nossos tempos. Arthur Schopenhauer, filósofo alemão (1788-1860) afirmava que a existência do mundo era o maior de todos os males e a fonte de todos os outros males. Eduard Von Hartmann, filósofo alemão (1842-1905) chamou a criação de crime imperdoável. Mas as Escrituras declaram repetidamente que tudo que Deus fez é bom; e positivamente rejeitam a idéia de que a natureza é inerentemente má (Cl 2.20-22).

A terceira é a idéia de Georg W. Friedrich Hegel, filósofo alemão (1770-1831), bem como da maioria dos evolucionistas, a saber: que o mal resulta da natureza da criatura. Eles afirmam que o pecado é um estágio necessário no desenvolvimento do espírito. É simplesmente um progresso de baixíssimas origens da existência, através do desenvolvimento evolucionário até os mais altos pontos.
As Escrituras desconhecem um tal desenvolvimento evolucionário e vê o universo e as criaturas como originalmente perfeitas. É bom lembrar que a criatura tinha originalmente o que os teólogos latinos chamavam de “posse pecare et posse non pecare”, isto é, a capacidade de pecar e a capacidade de não pecar. Ela foi colocada na posição de poder fazer qualquer uma das duas coisas sem ser constrangida a fazer uma ou outra coisa. Em outras palavras, sua vontade era autônoma.

A quarta idéia, apoiada em bases bíblicas, é de que a queda do “querubim ungido” resultou de sua própria escolha. Deus estabeleceu a sua soberana vontade para ser obedecida e apreciada por seus anjos. Entretanto, a vontade divina não seria obedecida por força, mas livremente. É por esse princípio bíblico que podemos entender a causa da queda. A Escritura de Isaías 14 é tipológica. A profecia fala do rei Nabucodonosor, um rei ilustrado à semelhança de Thobal, rei de Tiro. O que precedeu a queda do “querubim” foi a sua ilusão e engano acerca do seu próprio poder nas hostes angelicais. Imaginando-se superior a todos os demais anjos criados, pretendeu tomar o lugar do Criador. Cinco afirmativas descritas em Isaías 14.13,14 revelam as pretensões do “querubim”.
A primeira afirmativa foi “eu subirei ao céu”. Uma tentativa de estar acima de toda a criação e do próprio Deus. As expressões “eu subirei ao céu” , e “estavas no Éden, jardim de Deus” devem ser analisadas a luz de “como caíste do céu”, a fim de que o Éden, aqui em apreço, não seja confundido com o Éden terrestre. Naqueles primórdios o jardim do Éden fora

preparado com tanto magnificência para o “querubim”, “o perfeito em formosura” que descarta a idéia de um Éden mineral. O Éden magnífico e riquíssimo do “querubim” existiu antes do Éden de Adão e Eva e com certeza, em outra dimensão e glória, tratava-se de um Éden metafísico, espiritual. A pomposa descrição de Ezequiel, embora nos mostre haver sido o Éden um reino mineral das pedras preciosas, isto se dar apenas a título de conotação, ao passo que, segundo Gn 2.5-15, o Éden de Adão era de natureza vegetal e mineral. Aquele era espiritual, criado para um ser espiritual, e este material, físico, pois seria o habitat de nossos pais, não confundamos, portanto, os Edens. A segunda, “acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono”. Quando se refere às estrelas de Deus, ele estava falando dos demais anjos criados. A terceira, “no monte da congregação me assentarei”. O monte da congregação refere-se ao lugar do trono de Deus onde ele queria assentar-se. A quarta, “subirei acima das mais altas nuvens”. Mais uma vez, ele revela sua intenção presunçosa de superioridade. A quinta “serei semelhante ao Altíssimo”. Aqui estava a mais

grave das pretensões de Lúcifer. Ele queria colocar-se em posição unilateral em relação ao Criador.
Devemos, portanto, concluir que a queda dos anjos se deu devido a sua revolta auto determinada contra Deus. Foi sua escolha, de si próprio e seus interesses em lugar de escolherem a Deus e Seus interesses. Se indagarmos que motivo em particular pode ter estado por trás dessa rebelião, parecemos obter diversas respostas das Escrituras. Grande prosperidade e beleza parecem ser apontadas como possíveis causas. O rei de Tiro simboliza Satanás em Ez 28.11-19; e diz-se que ele caiu devido a essas coisas (1Tm 3.6). Ambição desmedida e o desejo de ser mais que Deus parecem outra causa. O rei da Babilônia é acusado de ter essa ambição, e ele também simboliza Satanás (Is 14.13,14). A queda de Lúcifer foi inevitável e conseqüente. Sua avidez irrefreada de querer ser igual a Deus, aguçou o interesse de grande número de anjos que resolveu acompanhá-lo. Por esse ato pecaminoso contra o seu Criador, Lúcifer foi

destituído de suas funções celestiais e condenado a execração eterna. Mas ele continua como o instigador do pecado no mundo (Rm 7.14).
6.4. O Resultado de sua Queda
As Escrituras registram diversos resultados decorrentes sua queda, entre eles alistamos que:
a) Todos eles perderam sua santidade original e se tornaram corruptos em natureza e conduta (Mt 10.1; Ef 6.11,12; Ap 12.9);
b) alguns deles foram lançados no inferno (tártaro) e estão acorrentados até o dia do julgamento (2Pe 2.4);
c) outros permaneceram em liberdade e trabalham em definida oposição à obra dos anjos bons (Ap 12.7-9; Dn 10.12,13,20,21; Jd 9);

d) pode também ter havido um efeito sobre a criação original em Gn 1;
e) eles serão, em um dia futuro, atirados para a terra (Ap 12.8,9) e, após seu julgamento (1Co 6.3), no lago de fogo (Mt 25.41; 2Pe 2.4; Jd 6).
Outrossim, discordamos da idéia de que a redenção de Cristo tenha incluído os anjos caídos, como querem alguns teólogos. O estado de condenação dos “anjos caídos” é irreversível, assim como é imutável, a situação daqueles que partiram para a eternidade sem Cristo (Ap 20.10). “E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre”. O poder de Satanás acabará então, pois Deus o lançará no lago de fogo para todo o sempre (Is 14.9-17). Ali, ele não reinará, sendo sempre atormentado, dia e noite, eternamente.

Finalmente, seria bom que os que advogam salvação para o diabo e seus anjos, observassem os textos bíblico, que alistamos na seqüência:
a) Anuncia “tribulação e angústia” (Rm 2.9).
b) “Pranto e ranger de dentes” (Mt 22.13; 25.30).
c) “Eterna perdição” (2Ts 1.9).
d) “Fornalha de fogo” (Mt 13.42,50).
e) Preconiza “cadeias da escuridão” (2Pe 2.4).
f) Do “tormento eterno” (Mt 25.46), de um “inferno” e de um “fogo que nunca se apaga” (Mc 9.43).
g) De um “ardente lago de fogo e de enxofre” (Ap 19.20).
h) E onde “a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso, nem de dia nem de noite” (Ap 14.11).

6.5. Os Anjos Maus
Eles estão divididos em duas classes distintas: os livres e os prisioneiros. Aqueles que estão livres andam pelas regiões celestiais sob o governo de seu príncipe e líder, Satanás, que é o único que recebe menção específica na Bíblia (Mt 12.24; Mt 25.41). Esses espíritos malignos em liberdade, sob o comando de Satanás, de quem são emissários e súditos (Mt 12.26), são tão numerosos que estão em todo o lugar.
Os anjos caídos que estão presos são aqueles que abandonaram sua própria habitação, e tornaram-se tão depravados ou maus, que Deus os encerrou no abismo (tártaro, Jd v.6; Ap 9.1,2,11).
6.5.1. Os Anjos que são Mantidos Aprisionados

Tanto o apóstolo Pedro como Judas irmão de Tiago (2Pe 2.4; Jd v.6) concordam ao se referirem aos mesmos anjos. Pedro diz que eles pecaram e que Deus os precipitou no Tártaro, entregando-os ao abismo de trevas e reservando-os para juízo. Judas apresenta seu pecado como sendo o de haverem abandonado seu próprio principado e domicílio. Pode ser que Judas estivesse pensando na passagem de Dt 32.8 da Septuaginta. Lá afirma que Deus dividiu as nações “de acordo com o número dos anjos de Deus”. Assume-se que Deus tenha nomeado um ou mais anjos para cada uma das nações. O fato de que várias nações estão assim sob um ou outro desses príncipes “angélicos” é evidenciado por Daniel (10.13,20; 11.1; 12.1). Deixar seu próprio principado poderia assim significar infidelidade no cumprimento de seus deveres; mais provavelmente significa que eles tentaram obter um principado mais cobiçado. Como castigo do seu pecado, Deus os precipitou no Tártaro. É só aqui que esta palavra aparece no Novo Testamento. Para Homero poeta grego, autor dos épicos Ilíada e Odisséia (séc. IX a.C.), o Tártaro é um lugar sombrio abaixo do Hades. Se os homens maus descem ao Hades, não parece improvável que Tártaro, o

lugar onde os anjos maus estão confinados seja ainda mais abaixo. Seu castigo consiste de estarem confinados em abismos de trevas e estarem presos por algemas eternas, reservados para o juízo do grande dia. As algemas são “eternas” (gr. aidiois), no sentido de que nunca se desgastam. Serão usadas, entretanto, apenas até o dia do juízo, ocasião em que serão lançados no lago do fogo.
6.5.2. Os Anjos Maus que estão em Liberdade.
Estes são normalmente mencionados em conexão com Satanás, seu líder (Mt 25.41; Ap 12.7-9). Mas, Sl 78.49; Rm 8.38; 1Co 6.3; Ap 9.14 referem-se a eles separadamente. Estão, é claro, incluído em “todo principado e potestade, e poder, e domínio” (Ef 1.21), e são mencionados especificamente em Ef 6.12 e Cl 2.15. Sua principal ocupação é a de

apoiar seu líder Satanás na luta dele contra os anjos bons e o povo e a causa de Deus.
6.6. Satanás
Satanás (gr. Satã, que significa adversário), foi antes um elevado anjo, criado perfeito e bom. Foi designado como ministro junto ao trono de Deus, porém num certo tempo, antes de o mundo existir, rebelou-se e tornou-se o principal adversário de Deus e dos homens (Ez 28.12-15). Satanás na sua rebelião contra Deus arrastou consigo uma grande multidão de anjos inferiores (Ap 12.4). Satanás e muitos desses anjos inferiores decaídos foram banidos para a terra e sua atmosfera circundante, onde operam limitados segundo a vontade permissiva de Deus.

Satanás, também chamado “a serpente”, provocou a queda da raça humana (Gn 3.1-6). Nesse episódio, a serpente levantou-se contra Deus através da sua criação. Declarou que aquilo que Deus dissera a Adão não era a verdade, por fim, ela foi a causa de Deus amaldiçoar a criação, inclusive a raça humana que ele fizera à sua imagem. A serpente é posteriormente identificada com Satanás ou o Diabo (Ap 12.9; 20.2). Certamente Satanás controlou a serpente e usou-a como instrumento para efetuar a tentação (2Co 11.3,14).
6.6.1. Todo o Mundo está no Maligno
Nunca compreenderemos adequadamente o Novo Testamento a não ser que reconheçamos o fato subjacente nele de que Satanás é o deus deste mundo. Ele é o maligno, e o seu poder controla o presente século mau (Lc 13.16; 2Co 4.4; Gl 1.4; Ef 6.12).

As Escrituras não ensinam que Deus hoje controla diretamente este mundo ímpio, cheio de gente pecaminosa, de maldade, de crueldade, de injustiça, de impiedade etc. Deus não deseja, nem causa, de nenhuma maneira, todo o sofrimento que há no mundo; nem tudo quanto aqui ocorre procede da sua perfeita vontade. A Bíblia indica que atualmente o mundo não está sob o domínio de Deus, mas em rebelião contra seu governo e sob o domínio de Satanás. Por causa dessa condição, Cristo veio a morrer (Jo 3.16) e reconciliar o mundo com Deus (2Co 5.18,19). Nunca devemos afirmar que “Deus está no controle de tudo”, a fim de esquivar-nos da responsabilidade de lutar seriamente contra o pecado, a iniqüidade ou a mornidão espiritual.
Há, no entanto, um sentido em que Deus está no controle do mundo ímpio. Deus é soberano e, portanto, todas as coisas acontecem de acordo com sua vontade permissiva e controle ou, às vezes, através da sua ação direta, de conformidade com o seu propósito e sabedoria. Mesmo assim,

na presente era da história, Deus tem limitado seu supremo poder e domínio sobre o mundo. Esta limitação é apenas temporária, porque no tempo determinado pela sua sabedoria, Ele destruirá toda a iniqüidade e o próprio Satanás (Ap 19.20).
Somente então é que “os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre” (Ap 11.15).
O império do mal sobre o qual Satanás reina é altamente organizado e exerce autoridade sobre regiões do mundo inferior, os anjos caídos (Ap 12.7), os homens perdidos (Jo 12.31; Ef 2.2) e o mundo em geral (Lc 4.5,6; 2Co 4.4). Satanás não é onipresente, onipotente, nem onisciente; por isso a maior parte da sua atividade é delegada a seus inumeráveis demônios (Ap 16.13,14).

Jesus veio à terra a fim de destruir as obras de Satanás (1Jo 3.8), de estabelecer o reino de Deus e de livrar o homem do domínio de Satanás (1Jo 3.8), Lc 4.19; 13.16; At 26.18). Cristo, pela sua morte e ressurreição, derrotou Satanás e ganhou a vitória final de Deus sobre ele (Hb 2.14).
No fim da presente era, Satanás será confinado ao abismo durante mil anos (Ap 20.1-3). Depois disso será solto, após o que fará uma derradeira tentativa de derrotar Deus, seguindo-se sua ruína final, que será o seu lançamento no lago do fogo (Ap 20.7-10).
Satanás atualmente guerreia contra Deus e seu povo (Ef 6.11-18), procurando desviar os fiéis da sua lealdade a Cristo (2Co 11.3) e fazê-los pecar e viver segundo o sistema do mundo (1Tm 5.15). O cristão deve sempre orar por livramento do poder de Satanás, para manter-se alerta

contra seus ardis e tentações (Ef 6.11), e resistir-lhe no combate espiritual, permanecendo firme na fé (Ef 6.10-18).
6.6.2. A Personalidade de Satanás
O substantivo personalidade vem do grego idiótens etos, que significa propriedade particular, caráter próprio. Pessoa na língua grega é um substantivo feminino referente a um homem ou uma mulher - antropos, substantivo masculino -, e no termo gramático e teológico prósopon, que significa face, figura, gesto, olhar, aspecto, máscara, papel, personagem. Personalidade significa forma de vida caracterizada por uma existência alto consciente que possui intelecto, emoções e vontade. É, portanto, o caráter essencial e exclusivo de uma pessoa; aquilo que a distingue de outra. Na psicologia é a individualidade consciente.

O exposto supra justifica-se pelo fato de que atualmente existe uma forte tendência, entre os professores modernistas, em eliminar a personalidade de Satanás. Falam a respeito do que era antigamente chamado de “diabo” como sendo simplesmente o “mal”. As Escrituras exprimem com freqüência relativamente a personalidade de Satanás. Assim sendo, pronomes pessoais são usados para se referir a ele (Jó 1.8,12; 2.2,3,6; Zc 3.2; Mt 4.10; Jo 8.44); atributos pessoais lhe são consignados (Is 14.13,14 – vontade, Jó 1.9,10 – conhecimento); e atos pessoais são desempenhados por ele (Jó 1.9-11; Mt 4.1-11; Ap 12.7-10).
Conseqüentemente, é bom que saibamos que Satanás não é um símbolo mitológico do mal. É um ser vivo, real, inteligente. Não podemos esquecer que seu nome verdadeiro é Lúcifer (heb. hekb), portador de luz. Ele foi dotado de livre arbítrio, perfeito quanto as suas ações. Toda a sua personalidade e caráter eram perfeitos como a luz é perfeita na sua própria

essência; ele não é a luz, Deus é luz, mas na permissão divina ele refletia, ele estava sempre participando da glória e da luz divina.
6.6.3. O Estado Original de Satanás
No livro do profeta Ezequiel 28.1-2 um governador é apresentado como o príncipe de Tiro. Ele é descrito como um homem que se tornou tão frívolo quanto as suas riquezas e inteligência, a ponto de reivindicar ser igual a Deus. “Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Filho do homem, levanta lamentações contra o rei de Tiro, e diz-lhe: Assim diz o Senhor Deus: Tu és o sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura. Estavas no Éden, jardim de Deus, de todas as pedras preciosas te cobrias: o sárdio, o topázio, o diamante, o berilo, o ônix, o jaspe, a safira, o carbúnculo e a esmeralda; de ouro se te fizeram os engastes e os ornamentos; no dia em que foste criado foram eles preparados. Tu eras querubim da guarda,

ungido, e te estabeleci; permanecias no monte santo de Deus, no brilho das pedras andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti” (Ez 28.11-15).
No texto supra encontramos Deus lamentando por essa pessoa; ele – sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura, querubim da guarda, ungido etc. Era, por conseguinte, o mais perfeito, o mais belo, e mais sábio de toda a criação de Deus!
Estaremos em condições de entender quão perfeito é o perfeito? Ele é chamado de “querubim da guarda, ungido”. Querubim é um ser angélico de elevada categoria associado com a presença santa de Deus e sua glória. Ele é chamado “o ungido”, o que indica favor supremo de Deus. “Ungido” é a mesma palavra que se usa falando do Messias, rei ungido de Deus. Esta pessoa era o governador e líder dos seres angélicos e evidentemente os

guiava em seu louvor a Deus e júbilo. A palavra hebraica traduzida “da guarda” em Ezequiel 28.14 e 16 significa literalmente “quem conduz”.
Observamos, ainda que lhe foram dadas todas as jóias fabulosas, indicando também sua categoria exaltada. Ele estivera no “Éden, jardim de Deus” e “no monte santo de Deus”. Ele andava “no brilho das pedras”, o que é um símbolo amiúde usado para indicar a presença santa de Deus. Tal descrição não poderia aplicar-se a um mero ser humano.
Entretanto, foi perfeito até “que se achou iniqüidade nele”. Esta falta de eqüidade marcou a queda de Lúcifer e a origem de Satanás (Is 14.12-14).
É importante observar que Deus Se dirige a Satanás mediante a pessoa do príncipe de Tiro (Ez 28). Satanás é a fonte invisível da arrogância e auto-deificação deste príncipe. Scofield (Bíblia de Estudo), descreve outros

casos de tratamento indireto com Satanás mediante um homem ou outra criatura: quando Deus Se dirigiu à serpente no jardim, em Gênesis 3.14; quando Jesus falou a Satanás através de Pedro, em Mateus 16.23. “A visão não é de Satanás em sua própria pessoa, mas de Satanás em seu desempenho num rei terreno e através desse rei que se arroga honras divinas”.
6.6.4. A relação figurada com o Rei de Tiro (Ez 28.1-10)
No devido contexto, a profecia de Ezequiel contra o rei de Tiro contém uma referência velada a Satanás como o verdadeiro governante de Tiro e como o deus deste mundo (2Co 4.4; 1Jo 5.19). O rei é descrito como um visitante que estava no jardim do Éden (Ez 28.13), que fora um anjo, querubim ungido (Ez 28.14), e uma criatura perfeita em todos os seus caminhos, até que nela se achou iniqüidade (Ez 28.15). Por causa do seu orgulho

pecaminoso (Ez 28.17), foi precipitado do monte de Deus (Ez 28.16,17; Is 14.13-15).
Nos primeiros dez versículos, o rei de Tiro é apresentado literalmente como alguém conhecido na história como Thobal (ou Ithobaal II) que reinou em 586 a.C. Naquele período, Thobal, como rei de Tiro, uma cidade-reino, encheu-se de orgulho e presunção, imaginando-se um deus. No versículo 2, o profeta fala do “príncipe de Tiro” e no versículo 12 fala do “rei de Tiro”. Na primeira parte quando fala do “príncipe”, apresenta-o como um homem vaidoso e presunçoso, que se imaginava um deus. Porém, o texto quando fala do mesmo personagem no versículo 12, passa a ter um sentido mais espiritual, e desse modo, entende-se que se trata, comparativamente, de outro rei, chamado Lúcifer, influenciador espiritual do príncipe literal. Thobal, o príncipe, imaginava a sua cidade como inexpugnável por estar construída sobre uma rocha.

O pecado maior do rei de Tiro era o orgulho, que o levou a exaltar-se qual divindade. Por isso, ele sofreria o julgamento divino e desceria à cova como todos os mortais (Ez 28.8). Muitos hoje, especialmente os que foram enganados pelos ensinos da Nova Era, crêem que realmente são deuses, ou que estão se tornando deuses. Esses enganadores e suas vítimas, caso não se convertam a Deus, receberão a mesma condenação do rei de Tiro.
6.6.5. Algumas características originais antes da queda
O texto (Ez 28.12-16) indica que Lúcifer era possuidor de elevada distinção e detentor de honrosos títulos e posições, conforme destacaremos a seguir:
a) “o aferidor da medida” (v. 12). A palavra “selo” (aferidor) é uma tradução fiel do original hebraico, porque significa que ele era a imagem, perfeita da

criação divina e uma imagem refletida em si mesmo que lhe conferia o privilégio de ser a mais bela e inteligente criatura de Deus (v. 12). Nele se encontrava a medida perfeita da criação daquilo que Deus queria.
b) “estavas no Éden, jardim de Deus” (v.13). A menção sobre pedras preciosas existentes no Jardim do Éden tem um sentido figurado para ilustrar os privilégios dessa criatura chamada Lúcifer, personificada no texto como “o rei de Tiro”. O ornamento de pedras preciosas desse personagem indica a grandeza e a beleza de sua aparência. Era um tipo da glória tipificada e representada por Lúcifer antes da queda.
c) “no dia em que foste criado” (v. 13). É importante essa expressão porque declara que Lúcifer é um ser criado por Deus. Como criatura de Deus não lhe dava o direito de imaginar-se tão superior a ponto de querer ser igual a Deus.
d) “querubim ungido para proteger” (v. 14). Na descrição profética de Ezequiel, Lúcifer pertencia a mais alta classe de seres angélicos. Sua relação com Deus manifestava-se em sua função específica de proteger o

trono de Deus. Esse ministério de proteção dos querubins tem a ver com a incumbência de preservar toda a criação divina (Gn 3.24; Êx 25.17-20; Sl 80.1).
e) “perfeito eras nos teus caminhos” (v. 15). A frase tem na conjugação verbal do verbo ser no passado “eras”, a história antiga de Lúcifer, como alguém que escondia em seu interior a iniqüidade da vaidade e do orgulho.
6.6.6. Nomes que designam Satanás
Satanás é um ser inteligente, hostil e traiçoeiro. A Bíblia inteira o apresenta resistindo a Deus e perturbando a paz das nações com guerra, destruição e misérias. As Escrituras se referem a este ser poderoso através de substantivos próprios e pronomes pessoais diferentes, como:

a) Satanás (1Cr 21.1; Jó 1.6; Lc 10.18; Ap 20.2 etc.). Esse título lhe foi dado após a sua queda da presença de Deus, e significa “adversário” (Zc 3.1; 1Pe 5.8). Foi a partir do momento em que Lúcifer encheu-se de iniqüidade e permitiu que a presunção o dominasse que aconteceu a grande tragédia universal. Ele imaginou-se poderoso o suficiente para competir ou mesmo superar o trono de Deus. Lúcifer, então, se fez adversário e oponente constante e implacável contra o Criador. Tornou-se, por isso, um arquiinimigo de toda a criação viva de Deus.
b) Diabo (Mt 13.39; Jo 13.2 etc.). Este termo aparece apenas no Novo Testamento. É uma transcrição do vocábulo grego diabolos que significa “caluniador, acusador” (Ap 12.10). Essa característica ele demonstrou como uma das suas tarefas mais terríveis e maléficas. Existe uma história onde o diabo calunia e acusa um servo de Deus chamado Jó. Embora esse homem fosse íntegro, o diabo apareceu diante do Senhor para acusá-lo (Jô 1.9-11). Portanto, a Bíblia identifica o diabo como caluniador e acusador dos servos de Deus. Como diabo, ele é o acusador dos irmãos (Ap 12.10).

Ele fala mal de Deus para o homem (Gn 3.1-7) e do homem para Deus (Ap 12.10. Como pai da mentira, ele tenta acusar os servos do Senhor, como se Deus não pudesse perceber as suas mentiras (Jo 8.44). Mas a Bíblia declara que “temos um advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1Jo 2.1).
c) Dragão (Is 51.9; Ap 12.3,7 etc.). A palavra “dragão” (tannin) parece significar literalmente “serpente” ou “monstro marinho”. O dragão é considerado como a personalidade de Satanás, como o é de Faraó em Ez 29.3; 32.2. O dragão é um animal marinho e pode apropriadamente representar a atividade de Satanás nos mares do mundo.
d) A Antiga serpente (Gn 3.1; Is 27.1 etc.). Este termo indica sua desonestidade (Jó 26.13) e falsidade (2Co 11.3).
e) Belzebu (Mt 10.25; 12.24,27), ou mais corretamente, Beelzebul, de acordo com a palavra grega. Não se conhece o significado exato do termo. Em sírio, significa “senhor do esterco”. É também sugerido que o termo significa “senhor da casa”. Esse título tinha uma relação com um deus

pagão de Ecrom, por nome Baal-Zebub ou Baal-Zebul. No texto grego do Novo Testamento, esse nome aparece como Belzebu, cuja atribuição dada pelos judeus do tempo de Cristo era o de “príncipe dos demônios” (Mt 10.25; Mc 3.22). Como os judeus usavam esse nome com um tom de escárnio, porque o mesmo referia-se a um ídolo pagão, Jesus, sem reserva nem qualquer pudor, identificou Belzebu como Satanás (Lc 11.18,19; Mc 3.24-27).
f) Belial ou Beliar (2Co 6.15). Este termo é usado no Velho Testamento no sentido de “indignidade” (2Sm 23.6). Assim, lemos a respeito dos “filhos de Belial” (Jz 20.13), os “homens de Belial” (1Sm 30.22), e dos “homens depravados”.
g) Lúcifer. Esse nome não aparece literalmente em nossas versões bíblicas, é a forma latina traduzido por Jerônimo na Vulgata. Na linguagem metafórica de Isaías 14.12, o nome Lúcifer aparece vinculado a expressão “filho da alva”. Os babilônicos criam que os astros celestes ou estrelas fossem seres angélicos, por isso, “um filho da alva” representava a primeira

luz da manhã, e Lúcifer, em seu primeiro estado possuía esta característica. Este termo significa a estrela da manhã, um nome dado ao planeta Vênus. Significa literalmente o que traz a luz, e é um nome usado para Satanás na passagem de Isaías. Como Lúcifer, Satanás é mostrado como um anjo de luz.
h) Maligno (Mt 13.19,38; 2Co 6.15 etc.). Esta é uma descrição de seu caráter e sua obra.
j) Tentador (Gn 3.1; Jó 2.7; Mt 4.3; Mc 1.13; Jo 13.2 etc.). Este nome indica seu constante propósito e esforço para levar os homens ao pecado.
k) deus deste século (2Co 4.4). Como tal, ele tem seus “ministros” (2Co 11.15), “doutrinas” (1Tm 4.1), “sacrifícios” (1Co 10.20), “sinagogas” (Ap 2.9). Ele patrocina a religião do homem natural e é, sem dúvida alguma, responsável por todos os falsos cultos e sistemas que assolam a cristandade hoje em dia.

l) Príncipe da potestade do ar (Ef 2.2; 6.12). Como tal, ele é o líder dos anjos maus (Mt 25.41; Ap 12.7) e o príncipe dos demônios (Mt 12.24; Ap 16.13,14). Ele comanda uma vasta hoste de servos que executam suas ordens, e governa com poder despótico.
m) Príncipe deste mundo (Jo 12.31; 14.30). Isto parece se referir a sua influência sobre os governos deste mundo. Jesus não disputou a reivindicação de algum tipo de direito aqui neste planeta feita por Satanás em Mt 4.8,9. Mas Deus é claro, estabeleceu limites definidos para ele, e quando chegar a hora, ele será subjugado pelo governo dAquele que tem o direito de governar, Jesus, nosso santo Senhor.
n) O Adversário (1Pe 5.8; Ap 7.17; 20.2). O Acusador dos filhos de Deus (Ap 12.10). O Enganador (Gn 3.4; 13; 2Co 11.3,13,14; 2Tm 2.26). O pai da mentira (Jo 8.44).
6.6.7. A atuação de Satanás

6.6.7.1. Em relação à obra redentora de Cristo
O autor da Epístola aos Hebreus (4.15) diz que Jesus foi tentado em tudo. Essa declaração parece chocar-se com a lógica da Divindade, uma vez que é impossível que Deus seja tentado ou submetido à tentação. Porém, devemos analisar essa declaração sob a ótica cristológica que destaca as duas naturezas de Cristo, a divina e a humana. Por que Jesus foi tentado pelo Diabo? John Broadus, em seu comentário de Mateus, responde a essa questão da seguinte maneira: “Ele daria, pela tentação, prova de sua verdadeira humanidade, de que possuía uma alma humana; seria parte do seu exemplo a nós; faria parte de sua disciplina pessoal; faria parte de sua preparação para ser um intercessor compassivo (Hb 2.18; 4.15); era parte da grande batalha na qual ‘a semente da mulher pisaria a cabeça da serpente’” (Gn 3.15).

Ao tentar Jesus, o diabo queria convencê-lo a desistir ou a adiar sua missão. O tentador sabia qual era a missão de Jesus, por isso, procurou criar-lhe situações embaraçosas, tentando levá-lo a empregar meios contrários ao plano divino. Jesus, contudo, não cedeu a nenhuma das insinuações satânicas. Ele não fraquejou, nem tomou atalhos para cumprir sua missão. Do mesmo modo, somos tentados a provocar a ira de Deus e a pecar contra a sua vontade soberana, mas devemos resistir firmes na fé (Tg 4.7; 1Pe 5.8,9).
É assim que Satanás opera em nossos dias. Ele procura compelir-nos a galgar lugares e posições fora de tempo, a tomar decisões precipitadas e, acima de tudo, a contrariar a vontade de Deus. Ele usou várias pessoas para tentar boicotar a obra de Cristo (Mt 2.16; Mt 16.23; Jo 8.44; Jo 13.27).
6.6.7.2. Em relação às nações

“E o sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates; e a sua água secou-se, para que se preparasse o caminho dos reis do Oriente. E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi saírem três espíritos imundos, semelhantes a rãs, porque são espíritos de demônios, que fazem prodígios; os quais vão ao encontro dos reis de todo o mundo para os congregar para a batalha, naquele grande Dia do Deus Todo-poderoso... E os congregaram no lugar que em hebreu se chama Armagedom” (Ap 16.12-16). Esta será a penúltima rebelião de Satanás contra Deus. Trata-se das nações do Oriente que, impulsionadas por forças satânicas, participarão de um grande conflito, a saber, a guerra do Armagedom (Ap 19.17-21). O sexto anjo prepara o caminho para a guerra final da presente era, secando o rio Eufrates para deixar os exércitos do Oriente aproximarem-se de Israel (Is 11.15).
O v.13 do texto supra faz menção de espíritos imundos semelhantes a rãs que são demônios operadores de milagres e, assim, enganam as nações

para apoiarem o mal, o pecado e o anticristo. Isso é um sinal evidente que durante a grande tribulação, os governantes das nações ficarão endemoninhados. É dessa forma que enganados por Satanás através de seus milagres, urdirão um plano louco que lançará o mundo inteiro num grande holocausto que dar-se-á no local chamado Armagedom (gr. harmagedon) (Ap 16.16). Esta região está localizada no centro-norte da Palestina e significa “vale do Megido” que será o ponto central da batalha, naquele grande dia do Deus Todo-poderoso (Ap 16.14). Essa guerra será travada perto do fim da tribulação, e acabará quando Cristo voltar para destruir os ímpios (Ap 14.19), para libertar o seu povo e para inaugurar seu reino messiânico. Note os seguintes fatos no tocante a esse evento: Os profetas do Antigo Testamento profetizaram o evento (Dt 32.43; Jr 25.31; Jl 3.2,9-17; Sf 3.8; Zc 14.2-5); Satanás e os seus demônios reunirão muitas nações sob a direção do anticristo a fim de guerrearem contra Deus, contra seus exércitos, contra seu povo e para destruir Jerusalém (Ap 16.13,14,16; 17.14; 19.14,19; Ez 38,39; Zc 14.2). Embora o ponto central esteja na terra de Israel, o evento do Armagedom envolverá a totalidade do mundo (Jr

25.29-38); Cristo voltará e intervirá de modo sobrenatural, destruindo o anticristo e os seus exércitos (Ap 19.19-21; Zc 14.1-5), e todos aqueles que desobedecem ao evangelho (Sl 110.5; Is 66.15,16; 2Ts 1.7-10). Deus também enviará destruição e terremotos sobre o mundo inteiro nesse período (Ap 16.18,19; Jr 25.29-33).
Após a batalha do Armagedom Satanás será preso por um período de mil anos, contudo, depois desse tempo será solto, onde por fim reunirá uma multidão incontável de pessoas (Ap 20.9) e as comandará para a última batalha na tentativa insana de derrotar a Deus. “E vi descer do céu um anjo que tinha a chave do abismo e uma grande cadeia na sua mão. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos. E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que mais não engane as nações...” (Ap 20.3). “E, acabando-se os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é

como a areia do mar, para as ajuntar em batalha. E subiram sobre ia largura da terra e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; mas desceu fogo do céu e os devorou” (Ap 20.7-9). Como observamos acima, no término do milênio, Satanás será solto e numa atitude desesperada manipula, pela última vez, as nações, enganando-se a ponto de supor que ainda poderá derrotar a Deus. Sairá a enganar aqueles que quiserem rebelar-se contra o reino de Cristo, e ajuntará uma multidão de semelhantes rebeldes. “Gogue e Magogue” (Ap 20.8).
É desta forma que Satanás trabalha incansavelmente. Atua cegando os entendimentos (2Co 4.4); arrebatando a palavra dos corações (Lc 8.12); usando homens para se oporem à obra de Deus (Ap 2.10). E para tanto mente (At 5.3); acusa e difama (Ap 12.10); dificulta trabalho (1Ts 2.18); se vale de demônios (Ef 6.11-12); semeia o joio entre os crentes (Mt 13.38-39); realiza perseguições contra os seus oponentes (Ap 2.10) etc.

7 - DEMONOLOGIA
Introdução
A demonologia é um estudo que vem despertando o interesse das pessoas neste final de século. Idéias fictícias, invencionices mistificadas, teorias religiosas e filosóficas e até alusões bíblicas desprovidas de interpretação correta têm invadido o mundo da literatura secular. O cristão por sua vez não desconhece o fato de que Satanás na sua rebelião contra Deus arrastou consigo uma grande multidão de anjos das ordens inferiores (Ap 12.4) que são identificados (após sua queda) com os demônios ou espíritos e que Satanás e muitos desses anjos inferiores decaídos foram banidos para a terra e sua atmosfera circundante, onde operam limitados segundo a vontade permissiva de Deus. Neste capítulo, teremos a oportunidade de

conhecer essa doutrina do ponto de vista da Bíblia, como única autoridade capaz de revelar e esclarecer a realidade e a identidade dos demônios.
7.1. A doutrina dos demônios
O termo “demônio” aparece somente três vezes no Velho Testamento (Dt 32.17; Sl 106.37; Lv 17.7). No Novo Testamento, a palavra “demônio” (gr. daimon ou daimonion) assumiu o sentido de malignidade, pois eles são seres espirituais, inteligentes, impuros e com poder para afligir e contaminar os homens moral e espiritualmente. O termo daimon ocorre em Mt 8.31; e daimoniodes apenas em Tg 3.15. Mas o substantivo daimonion aparece 63 vezes, e o verbo daimonizomai, 13 vezes. No grego clássico, os termos daimonion e daimon se referem a deuses inferiores, tanto bons como maus.

No texto de Dt 32.17, o cântico de Moisés destaca que os israelitas caíram em idolatria: “sacrifícios ofereceram aos demônios (shedhim)”. Entende-se então que o termo shedhim se identifica não só com as imagens de idolatria, mas também relaciona o termo com seres espirituais por detrás dos que adoram as imagens. O termo seirim, etimologicamente significa “o peludo” ou “bode peludo”. O povo de Israel repudiava esses animais porque eram considerados objetos de adoração (Lv 17.1-7).
7.2. Quem são os Demônios
Alguns teólogos entendem que os demônios e espíritos maus são diferentes dos anjos caídos. Outros admitem que tanto anjos caídos, espíritos malignos e demônios são apenas nomes diferentes para os

mesmos seres. Antes de apresentarmos o nosso ponto de vista exibiremos algumas teorias enganosas.
7.2.1. Teorias falsas sobre os demônios
Essas teorias apresentam idéias divergentes sobre a origem dos anjos caídos. Teóricos utilizam textos bíblicos isolados para defenderem suas posições.
7.2.1.1. Os demônios são espíritos sem corpos de habitantes de uma raça pré-adâmica
Acreditam os defensores dessa teoria que havia na terra uma raça pré-adâmica que se constituía de criaturas físicas, as quais, pela rebelião de

Lúcifer, sofreram a perda de seus corpos materiais, tornando-se espíritos sem corpos, denominados “demônios”. Esta idéia vai de encontro ao fato de que em parte alguma das Escrituras é tal raça mencionada. Mas como a queda de Satanás, de seus anjos e dos demônios deve ter acontecido entre Gn 1 e 2, não é improvável que, além dos anjos, houvesse uma raça de seres espirituais que habitava na terra, sobre quem Satanás dominava, e que também caiu quando ele caiu. Como castigo para ele, Deus permitiu-lhes estar aí em um estado de desincorporação até que sejam confinados ao Geena, quando do julgamento final de Satanás e suas hostes. Diversos escritores modernos que escrevem sobre profecias aceitam este ponto de vista. Esta idéia parece explicar melhor o fato dos demônios buscarem possuir seres humanos. A destruição a que se refere 2Pe 3.5,6 poderia se referir a um julgamento sobre uma tal raça pré-adâmica, através da qual a criação perfeita de Deus foi transformada no caos de Gn 1.2.

Satanás é um anjo, e é chamado príncipe dos demônios (Mt 12.24), indicando que os demônios são anjos e não uma raça pré-adâmica. Além disso, Satanás tem uma hierarquia bem organizada de anjos (Ef 6.11-12), e é razoável supor que estes sejam demônios. Alguns demônios já estão presos (2Pe 2.4; Jd 6) e alguns estão à solta, cumprindo ordens de Satanás. Alguns pensam que a razão para tal aprisionamento é a participação daqueles demônios no pecado de Gn 6.1-4.
Na verdade, essa teoria não consegue se definir, porque biblicamente, nunca existiu raça alguma pré-adâmica que tivesse habitado neste planeta. Por essa razão, a idéia de uma raça pré-adâmica é pura conjectura, sem nenhum apoio bíblico. Não há nenhuma raça criada anterior à raça humana de Adão e Eva (Gn 1.26,27). A única criação de seres vivos e inteligentes existente antes da criação da raça humana eram os anjos, e estes nunca habitaram na terra como raça criada.

7.2.1.2. Os demônios são seres gerados da relação de anjos com mulheres antediluvianas (Gn 6.1-4)
Não são poucos os teólogos que apóiam as doutrinas das “testemunhas de Jeová”, ao defenderem ser “os filhos de Deus” (Gn 6.2) anjos caídos que não guardaram o seu estado original. Essa teoria defende uma intromissão angélica na esfera humana e como resultado uma raça de gigantes perversos.
Os defensores dessa teoria interpretam que “as filhas dos homens” eram realmente da descendência de Adão e Eva e que “os filhos de Deus” eram anjos que entraram em conúbio com estas mulheres e produziram uma progênie espantosa de filhos gigantes. Os que admitem essa teoria partem da idéia de que “os anjos” são chamados “filhos de Deus” em algumas partes das Escrituras, mui especialmente no Antigo Testamento.

É fato que em algumas Escrituras encontramos a expressão “filhos de Deus” para referir-se aos “anjos”, mas não podemos omitir outro fato de que a mesma expressão “filhos de Deus” também se encontra em outras escrituras referindo-se a “homens”. Isto só é possível perceber à luz do contexto de cada escritura. Forçar uma interpretação contrariando o contexto, tanto o imediato como o remoto, significa ferir a revelação divina de cada escritura. O argumento aceitável, racional e bíblico, é que esses “filhos de Deus” eram oriundos da linhagem piedosa de Sete e as “filhas dos homens” eram da linhagem pecaminosa de Caim. O ensino bíblico e canônico é que os anjos são seres assexuados. Eles não possuem descendência, nem ascendência ou família. Foram apenas criados e, tantos quantos foram criados no princípio da criação, são tantos quantos existem.
7.2.1.3 Os Demônios são simples nomes dados a certas enfermidades

Com o aparecimento das idéias dos atuais grupos da Confissão Positiva e da Teologia da Prosperidade nos meios pentecostais, essa teoria tem se espalhado como se fosse planta daninha entre o povo de Deus. Crêem e ensinam que as doenças, de um modo geral, são “espíritos maus” ou “demônios” que precisam ser expelidos. Essa teoria atribui certas desordens naturais a atividade dos maus espíritos. Ao nomear as doenças como espíritos maus ou demônios, mesmo aquelas doenças de causas naturais, estão tratando os espíritos ou demônios como se eles não tivessem existência real. Devemos ter cuidado em separar as causas dos seus efeitos. Nem todas as enfermidades são causadas por demônios, e nem todas podem ser atribuídas aos demônios. Há doenças de causas naturais como conseqüência da herança pecaminosa que todo ser humano herda, e há doenças causadas por demônios. Não podemos tratar as doenças como demônios, pois dessa forma todo crente quando fica enfermo estaria endemoninhado, o que é um absurdo. Não podemos, também, tratar os demônios como se não tivessem existência real. Os demônios não são coisas, nem meras idéias, nem doenças. Eles são seres

pessoais e espirituais que podem causar grandes danos às pessoas. Lucas conta que uma certa mulher esteve presa por um espírito de enfermidade por 18 anos e Jesus a libertou daquele jugo. O texto bíblico diz literalmente que aquela mulher estava possessa de um “espírito de enfermidade” (Lc 13.11), isto é, entende-se que um espírito maligno aprisionava aquela mulher com uma enfermidade, mas esta não era um espírito ou demônio. Aquele espírito provocou naquela mulher a enfermidade que a fizera sofrer por longo tempo.
7.2.1.4. Os demônios são os espíritos de homens malvados que já estão mortos
Outra tremenda aberração! Não há nenhum apoio bíblico para esta idéia. Essa teoria foi se desenvolvendo através dos séculos e, em pleno final do século 20, torna-se generalizada. Porém, a Bíblia refuta veementemente

esse falso conceito. Os demônios são apenas “anjos caídos” e são eles que promovem todo o engano e confusão na mente humana. Os mortos continuam mortos e seus espíritos não andam vagando por aí a perturbar a paz das pessoas.
7.2.2. O que a Bíblia afirma ser os demônios
O Novo Testamento menciona muitas vezes pessoas sofrendo de opressão ou influência maligna de Satanás, devido a um espírito maligno que neles habita; menciona também o conflito de Jesus com os demônios. O Evangelho segundo Marcos, por exemplo, descreve muitos desses casos: 1.23-27, 32, 34, 39; 3.10-12, 15; 5.1-20; 6.7, 13; 7.25-30; 9.17-29; 16.17.

Os demônios são seres espirituais com personalidade e inteligência. Como súditos de Satanás, inimigos de Deus e dos seres humanos (Mt 12.43-45), são malignos, destrutivos e estão sob a autoridade de Satanás (Mt 4.10 nota).
Os demônios são a força motriz que está por trás da idolatria, de modo que adorar falsos deuses é praticamente o mesmo que adorar demônios (1Co 10.20). O Novo Testamento mostra que o mundo está alienado de Deus e controlado por Satanás (Jo 12.31; 2Co 4.4; Ef 6.10-12).
Os demônios são parte das potestades malignas; o cristão tem de lutar continuamente contra eles (Ef 6.12).
Os demônios podem habitar no corpo dos incrédulos, e, constantemente, o fazem (Mc 5.15; Lc 4.41; 8.27,28; At 16.18) e falam através das vozes

dessas pessoas. Escravizam tais indivíduos e os induzem à iniqüidade, à imoralidade e à destruição.
Os demônios podem causar doenças físicas (Mt 9.32,33; 12.22; 17.14-18; Mc 9.17-27; Lc 13.11,16), embora nem todas as doenças e enfermidades procedam de espíritos maus (Mt 4.24; Lc 5.12,13). Aqueles que se envolvem com espiritismo e magia (isto é, feitiçaria) estão lidando com espíritos malignos, o que facilmente leva à possessão demoníaca (At 13.8-10; 19.19; Gl 5.20; Ap 9.20,21).
Os espíritos malignos estarão grandemente ativos nos últimos dias desta era, na difusão do ocultismo, imoralidade, violência e crueldade; atacarão a Palavra de Deus e a sã doutrina (Mt 24.24; 2Co 11.14,15; 1Tm 4.1). O maior surto de atividade demoníaca ocorrerá através do Anticristo e seus seguidores (2Ts 2.9; Ap 13.2-8; 16.13,14).

7.2.3. Jesus e os demônios
Nos seus milagres, Jesus freqüentemente ataca o poder de Satanás e o demonismo (Mc 1.25,26, 34, 39; 3.10,11; 5.1-20; 9.17-29; Lc 13.11,12,16). Um dos seus propósitos ao vir à terra foi subjugar Satanás e libertar seus escravos (Mt 12.29; Mc 1.27; Lc 4.18).
Jesus derrotou Satanás, em parte pela expulsão de demônios e, de modo pleno, através da sua morte e ressurreição (Jo 12.31; 16.17; Cl 2.15; Hb 2.14). Deste modo, Ele aniquilou o domínio de Satanás e restaurou o poder do reino de Deus.
O inferno (gr. Gehenna), o lugar de tormento, está preparado para o diabo e seus demônios - anjos (Mt 8.29; 25.41). Exemplos do termo Gehenna no grego: Mc 9.43,45,47; Mt 10.28; 18.9.

7.2.4. O crente e os demônios
As Escrituras ensinam que nenhum verdadeiro crente, em quem habita o Espírito Santo, pode ficar endemoninhado; isto é, o Espírito e os demônios nunca poderão habitar no mesmo corpo (2Co 6.15,16). Os demônios podem, no entanto, influenciar os pensamentos, emoções e atos dos crentes que não obedecem aos ditames do Espírito Santo (Mt 16.23; 2Co 11.3,14).
Jesus prometeu aos genuínos crentes autoridade sobre o poder de Satanás e das suas hostes. Ao nos depararmos com eles, devemos aniquilar o poder que querem exercer sobre nós e sobre outras pessoas, confrontando-os sem trégua pelo poder do Espírito Santo (Lc 4.14-19). Desta maneira, podemos nos livrar dos poderes das trevas.

Segundo a parábola em Mc 3.27, o conflito espiritual contra Satanás envolve três aspectos: declarar guerra contra Satanás segundo o propósito de Deus (Lc 4.14-19); ir onde Satanás está (qualquer lugar onde ele tem uma fortaleza), atacá-lo e vencê-lo pela oração e pela proclamação da Palavra, e destruir suas armas de engano e tentação demoníacos (Lc 11.20-22); apoderar-se de bens ou posses, isto é, libertando os cativos do inimigo e entregando-os a Deus para que recebam perdão e santificação mediante a fé em Cristo (Lc 11.22; At 26.18).
Seguem-se os passos que cada um deve observar nesta luta contra o mal: Reconhecer que não estamos num conflito contra a carne e o sangue, mas contra forças espirituais do mal (Ef 6.12); viver diante de Deus uma vida fervorosamente dedicada à sua verdade e justiça (Rm 12.1,2; Ef 6.14); Crer que o poder de Satanás pode ser aniquilado seja onde for o seu domínio (At 26.18; Ef 6.16; 1Ts 5.8) e reconhecer que o crente tem armas espirituais poderosas dadas por Deus para a destruição das fortalezas de

Satanás (2Co 10.3-5); proclamar o evangelho do reino, na plenitude do Espírito Santo (Mt 4.23; Lc 1.15-17; At 1.8; 2.4; 8.12; Rm 1.16; Ef 6.15); confrontar Satanás e o seu poder de modo direto, pela fé no nome de Jesus (At 16.16-18), ao usar a Palavra de Deus (Ef 6.17), ao orar no Espírito (At 6.4; Ef 6.18), ao jejuar (Mt 6.16; Mc 9.29) e ao expulsar demônios (Mt 10.1; 12.28; 17.17-21; Mc 16.17; Lc 10.17; At 5.16; 8.7; 16.18; 19.12); orar, principalmente, para que o Espírito Santo convença os perdidos, no tocante ao pecado, à justiça e ao juízo vindouro (Jo 16.7-11); orar, com desejo sincero, pelas manifestações do Espírito, mediante os dons de curar, de línguas, de milagres e de maravilhas (At 4.29-33; 10.38; 1Co 12.7-11).
7.3. A natureza espiritual, intelectual e moral dos demônios
Eles possuem uma natureza intelectual, até mesmo porque na etimologia da palavra daimon o sentido é conhecimento, inteligência. Portanto, os demônios não são coisas impensantes, mas conhecem a Jesus e até falam

dele como “o filho do Altíssimo” (Mc 5.6,7). Tiago escreveu que os demônios crêem e estremecem (Tg 2.19). Quanto à natureza moral dos demônios é inegável que eles se corromperam indo após Lúcifer, praticando toda a sorte de perversão e depravação espiritual. Por isso, eles são chamados “espíritos imundos” (Mt 10.1; Mc 1.27; 3.11; Lc 4.36; At 8.7, Ap 16.13). Eles usam as pessoas, possuindo suas mentes ou influenciando-as por outros meios a fim de que elas se tornem “instrumentos de iniqüidade” (Rm 6.13).
Na rebelião promovida por Lúcifer, este arrastou consigo uma grande multidão de seres angelicais (Mt 25.41; Ap 12.4). Depois, ele organizou sua própria corte com os anjos que o seguiram, distinguindo-os em “principados, potestades e dominadores das trevas e hostes espirituais da maldade” (Ef 6.12). Os anjos que trocaram a sua habitação pela oferta do rebelde Lúcifer, foram banidos da presença de Deus e seguiram a liderança de Lúcifer. E, assim, passaram a ser identificados como “anjos caídos”.

7.4. Lugar atual e destino final dos demônios
a) Satanás na sua rebelião inicial contra Deus (Mt 4.10) sublevou uma terça parte dos anjos (Ap 12.4). A maioria deles está solta sob o domínio e controle de Satanás (Mt 12.24; 25.41; Ef 2.2; Ap 12.7). Estes são os emissários altamente organizados do diabo (Ef 6.11,12) que equivalem aos demônios referidos na Bíblia;
b) Outros desses estão algemados no poço do abismo (2Pe 2.4; Jd 6), e serão soltos na Grande Tribulação. “E o quinto anjo tocou a trombeta, e vi uma estrela que do céu caiu na terra; e foi-lhe dada a chave do poço do abismo. E abriu o poço do abismo, e subiu fumaça do poço como a fumaça de uma grande fornalha e, com a fumaça do poço, escureceu-se o sol e o ar” (Ap 9.1,2). Nesse texto encontramos a estrela que cai do céu que é provavelmente um anjo que executa o julgamento divino e o poço do abismo que é o lugar onde estão aprisionados os demônios que não guardaram o seu principado e ali foram encerrados até que Che o tempo

de serem soltos (Ap 11.7; 17.8; 20.1,3; Lc 8.31; 2Pe 2.4; Jd 6). Do poço do abismo saem gafanhotos que representam um vultoso número de demônios e também intensa atividade demoníaca na terra, perto do fim da história.
c) finalmente todos os demônios serão lançados juntamente com Satanás para dentro do lago de fogo. “Então, dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mt 25.41).

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